É claro que uma banda gigante como o Beatles não termina do nada. Mas, segundo a história da música, uma data pode ser tida como o marco do fim do Fab Four: 20 de setembro de 1969, dia em que John Lennon comunicou a Paul McCartney e ao empresário Allan Klein que estava dizendo adeus. E se nada disso tivesse acontecido e os quatro rapazes de Liverpool estivessem vivos e tocando juntos até hoje?

Já que o lançamento dos discos remasterizados e do game Rock Band certamente vai reacender a beatlemania ao redor do planeta, o Virgula Música resolveu fazer um exercício de futurologia e prever como seria a carreira da maior banda de rock da história até hoje caso permanecesse na ativa. Lembrem-se: é tudo uma mera suposição!

1970 – Os Beatles não gravam um novo disco por causa das brigas entre seus integrantes por diferenças musicais. Então, Allen Klein tem uma ideia anos depois imitada pelo Kiss: no mesmo dia, em agosto, McCartney, Lennon, George Harrison e Ringo Starr lançam álbuns-solo. Para surpresa geral, o mais bem-sucedido na aventura foi Harrison, com o genial All Things Must Pass, que inclui hits como My Sweet Lord.

1975 – Cheio de moral, Harrison reivindica ter mais músicas no próximo disco dos Beatles – e Lennon e McCartney concordam. O resultado é o LP A Different View, que traz sucessos como Liverpool/Bombain, Yoga Song e Peace, God and Gandhi, todas escritas e cantadas pelo guitarrista. A polêmica Yoko Yoko Yoko (and Me), de Lennon, causa a ira dos fãs por trazer pela primeira vez a voz de alguém que não faz parte da banda: Yoko Ono, claro.

1979 – Cada vez mais desentrosados, o Fab Four nem se reúne para fazer o álbum We See the Future, que junta faixas registradas em separado pelos integrantes, com a participação de convidados. Harrison emplaca She’s So Beautiful, dueto com o amigão Eric Clapton. Outros destaques: Am I Still Here?, de Lennon e Yoko, e Baby Dynamite, uma disco music de McCartney, grande hit nas pistas de dança – para ódio dos roqueiros mais xiitas. Não houve turnê para promover o trabalho.

1983 – Dispostos a se entenderem novamente, os Beatles trabalham sob a batuta de Quincy Jones, que havia acabado de produzir Thriller, de Michael Jackson. O disco, Older and Stronger, tem participação do Rei do Pop. O álbum faz tanto sucesso que chega a superar o próprio Thriller em vendas: até hoje, cerca de 150 milhões de cópias foram vendidas no mundo. Realizada em mais de 70 países ao longo de três anos e meio, a turnê também é considerada a maior de todos os tempos.

1992 – Após a longa turnê do disco anterior, o Fab Four se separou para descansar e fazer álbuns-solo. Na metade desse ano, o quarteto se reúne para fazer um novo disco, em meio à moda do grunge. Parecia que eles entrariam na onda: Butch Vig, que gravou Nevermind, do Nirvana, foi chamado para a produção. Again with the Beatles, com rocks e baladas simples como em seus trabalhos iniciais, não faz muito sucesso, mas marca época por ser o primeiro lançamento do grupo em CD.
 
1995 – Nesse ano, o Beatles grava seu trabalho mais polêmico: My Private Disco, em que investe na música eletrônica. Com co-produção do Chemical Brothers, o CD tem faixas como Your Body e So Good, que misturam rock a loops, samplers e programações. Apesar do sucesso da faixa-título, que tocou nas pistas, os fãs odiaram o álbum. Em 1996, eles vieram pela primeira vez ao Brasil, lotando estádios no Rio e em SP.

2000 – Em seu novo disco, Just Other People, os Beatles resolvem gravar só covers de outros artistas. A seleção inclui nomes como Neil Young, Marvin Gaye, The Cure e Bib Marley. A música mais conhecida é  Always on the Run, de Lenny Kravitz, na voz de Paul McCartney.

2004 – O Fab Four volta com tudo em Jazzmasters, disco eclético que tem desde o rock dos primórdios (Get Me, de Lennon) até flertes com o eletrônico (Running Fast, cantada por Ringo) e world music (Dear India, de Harrison). É tido como um dos melhores de sua discografia. Em 2005, eles voltam ao Brasil para fazer mais uma bem-sucedida turnê.

2009 – Após mais uma pausa, a banda está em estúdio para gravar um novo disco, que terá só músicas inéditas de outros artistas. “Desta vez, queremos trabalhar só os arranjos”, disse Lennon em seu blog. Bono Vox, Thom Yorke, Noel Gallagher e até Amy Winehouse são alguns dos compositores que devem ceder músicas para o CD, que deverá sair na metade de 2010, durante a Copa do Mundo da África do Sul.

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