A Comapi Agropecuária, braço do frigorífico Bertin, um dos maiores do país na criação e confinamento de gado, decidiu refazer contratos com propriedades com as quais mantém algum vínculo comercial.  O objetivo é evitar que a imagem da empresa seja prejudicada nos mercados internos e externos diante de irregularidades ambientais e trabalhistas nessa cadeia de fornecedores.

O frigorífico mantém relações comerciais com 16 propriedades espalhadas por três Estados: Tocantins, Goiás e Mato Grosso do Sul.  Nos contratos em vigor, como de comodato e de arrendamento de terra para criação de gado, serão adicionadas quatro cláusulas socioambientais para os terceirizados, sob pena de terem os contratos bloqueados.

As propriedades não poderão: ter área embargadas por conta de desmatamento ilegal, sofrer condenação por trabalho análogo à escravidão, ser oriunda de grilagem e ser palco de conflitos agrários ou indígenas.  Para garantir que nenhuma dessas condicionantes sejam descumpridas, a empresa se valerá de informações públicas divulgadas pelos órgãos competentes para monitorar os requisitos.

As medidas foram tomadas por conta das denuncias dirigidas ao grupo Bertin pelo Ministério Público Federal no Pará, que acusou a empresa de comprar gado de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia.  A empresa assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com os procuradores, mas acabou envolvida em novos flagrante de trabalho escravo quando fiscais do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho localizaram e resgataram no Tocantins trabalhadores em situação análoga à escravidão numa fazenda parceira da Comapi, que comprava silagem produzida nessa área terceirizada.

Com essa revisão nos contratos, a empresa pretende resguardar a sua imagem, já que tem como sócio o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que investiu R$ 1,5 bilhões e detém 26% do capital do frigorífico.  A empresa também se compromete a realizar visitas in loco a todas as propriedades e auditores irão checar o cumprimento das normas ambientais e trabalhistas e as condições de alimentação e de alojamento dos trabalhadores.  As informações são do jornal Folha de São Paulo.

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