Quanto será que um país pode perder com os impactos do aquecimento global nos próximos anos? De acordo com o estudo Economia das Mudanças do Clima no Brasil, realizado por instituições de peso como USP, UFRJ, Unicamp e Embrapa, somente em nosso país, as perdas podem chegar a R$ 3,6 trilhões até 2050. Isso equivale a jogar fora um ano do crescimento econômico nos próximos 40 anos.

A pesquisa foi inspirada no Relatório Stern, que analisou economicamente os problemas causados pelo aquecimento global no mundo. Com isso, a conclusão dos envolvidos é que as perdas do Brasil significam uma redução do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% em 2050.

Os números podem não parecer muito significativos considerando um horizonte de 40 anos, mas a perda para cada cidadão foi estimada em até R$ 1.603 ao ano até 2050.

Segundo o estudo, as regiões mais afetadas do país serão a Amazônia e também o Nordeste. Um dos pontos destacados é que haverá um aumento das disparidades regionais com a subida da temperatura global. E o fato do Brasil ter proporções continentais amplia este impacto.

Um exemplo claro é o que deve acontecer no Rio Grande do Sul, com menos geadas. “O que pode ser bom para o Sul, com menos perdas na agricultura, vai ficar bastante pior no Nordeste. E isso vai na contramão dos projetos para deixar o país menos desigual”, disse a coordenadora técnica do trabalho, Carolina Dubeux, ao jornal O Estado de S. Paulo.

Para os estados da região Nordeste, está prevista a diminuição das chuvas entre 2 e 2,5 milímetros por dia até 2100. O que afetaria a pecuária, com a redução de 25% na capacidade de pastoreio de bovinos de corte.

Co menos água, quem deve sofrer também é o setor elétrico. A estimativa é que com a variação da disponibilidade de água, haverá perda da energia firme em até 31,5%. A energia firme é a energia média gerada no período crítico do sistema. “Os investimentos que serão necessários vão ficar a maior parte do tempo parados para serem usados como backup quando secar bastante”, disse Carolina.

A intenção dos responsáveis pelo estudo é mostrar ao governo a dimensão do impacto econômico do aquecimento para que avalie melhor até onde deve se comprometer na negociação do clima, na conferência que acontecerá no próximo mês em Copenhague, na Dinamarca.

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