Na quinta-feira (05/11) acontecerá o encerramento da 33ª Mostra Internacional de São Paulo e o anúncio dos vencedores do Troféu Bandeira Paulista.

São 12 filmes concorrendo, sendo Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano de Beatriz Seigner e Um Homem Qualquer de Caio Vecchio os representantes brasileiros. Os dois não são, nem de longe, bons filmes.

A idéia de Bollywood Dream até que é interessante: três amigas, atrizes brasileiras, partem para a Índia com a vontade de ingressar no mercado local de cinema (conhecido mundialmente pela imensa produção em termos de quantidade). O objetivo é um só: ganhar dinheiro.

Mas o filme deixa muito a desejar. Tudo bem que o orçamento foi curto (apenas US$ 20 mil), e a falta de estrutura técnica dá até um certo charme à opção “câmera na mão seguindo as personagens em suas aventuras pelas ruas da Índia”. Mas, o amadorismo da imagem e as péssimas dublagens que tornam alguns momentos dramáticos risíveis, incomoda. 

E os diálogos, bem, o roteiro em si é muito fraco. Se fosse um programa de viagens ou um documentário sobre o país até que seria bacana mas, como ficção, apesar do esforço das boas atrizes Paula Braun, Lorena Lobato e Nataly Cabanas, não funciona.

A vontade de fazer um longa sem dinheiro e mesmo assim encarar o desafio e filmar é muito válida, mas não deve ser um fator fundamental para medir a qualidade do produto final.

Mas enquanto Bollywood Dream é despretencioso, o que não falta em Um Homem Qualquer é pretensão. O filme traz atores conhecidos do grande público, principalmente de novelas globais como Eriberto Leão (como Jonas, o personagem principal), Carlos Vereza, Pedro Neschling e Nanda Costa (no ar em Viver a Vida).

A história é a seguinte: atores de teatro fazem laboratório para uma peça que tem o mesmo título do filme. Um deles observa Jonas, o tal “Homem Qualquer”, e a vida desse personagem cheio de problemas é mostrada.

Ok. O problema todo é a tentativa irritante de tratar sobre temas polêmicos como religão, capitalismo e a triste realidade dos moradores de rua no Brasil. É sofrível por ser mal feito. São diálogos que parecem discursos de adolescentes sem causa, que só pensam em reclamar, reclamar e reclamar do capitalismo enquanto usam camisa de grife com a foto de Che Guevara, ou falam mal da igreja mas carregam escapulários de ouro no pescoço. Não convence, muito menos emociona.

O roteiro é mal acabado e se preocupa tanto com esses discursos que descuida do desenrolar das ações. As situações acontecem de qualquer jeito, sem o menor cuidado de uma sequência lógica. Mas esse é um dos 12 concorrentes e que tem grandes chances de levar o Troféu por ser um filme “polêmico” com alguns dizem por aí.

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