O cinema brasileiro encerrou nesta quarta-feira (17) sua passagem pela 60ª edição do Festival de Berlim com o drama Bróder, de Jeferson De.


 


As labirínticas vielas do bairro do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, servem de cenário para o reencontro de três amigos que se veem mais uma vez envolvidos na violência do lugar.


 


Em entrevista coletiva concedida nesta quarta, o diretor explicou que seu filme conta uma “história universal” narrada em um “lugar perigoso” como a zona sul de São Paulo, um ambiente que lhe é familiar.


 


“Sou negro e venho da mesma camada social dos protagonistas da história. Mas, apesar disso, consegui chegar à universidade e estudar cinema”, assegurou. Suas origens, afirmou, dotam o filme de um “novo ponto de vista” incomum no cinema brasileiro e afastado do “racismo” que, em sua opinião, predomina na filmografia do país.


 


Para De, seu filme não fala exatamente sobre a violência, mas “sobre o amor e a amizade de três jovens que se consideram irmãos” e sobre “aonde essa amizade acaba os levando”.


 


O ator Caio Blat interpreta Macu, o único dos três amigos que continua vivendo na favela, imerso nas tramas das quadrilhas do lugar, e que recebe a visita de seus dois amigos de infância por causa de seu aniversário, justamente no mesmo dia em que ele deve cometer um sequestro.


 


A produtora do longa, Renate Moura, falou sobre as dificuldades que a equipe encontrou para filmar no Capão Redondo, mas apontou que, por meio da colaboração com a associação de moradores e com a incorporação de moradores da região à equipe, os caminhos se abriram.


 


O rapper Du Bronx, um dos moradores que atuam em Bróder, destacou que seu bairro “não é só uma área de traficantes”.


“Oo filme criou postos de trabalho e teve muitos efeitos positivos para o bairro. É o primeiro filme que mostra nosso bairro de forma positiva”, apontou.


 


O cinema brasileiro teve forte presença neste Festival de Berlim, que entrega seus prêmios no sábado (19), principalmente nas mostras Panorama e Generation, dedicada ao cinema infanto-juvenil, ambas fora de concurso.


 


Além de Bróder, participaram da Panorama Besouro, Fucking Different São Paulo e Waste Land, enquanto o filme Os Famosos e os Duendes da Morte e o curta Avós foram exibidos na Generation.


 


Dirigido por João Daniel Tikhomiroff, Besouro que conta a história do mito do lendário capoeirista que enfrentou os abusos dos fazendeiros das plantações de cana-de-açúcar para defender a população negra.


 


Fucking Different São Paulo foi rodado por um coletivo de 12 jovens diretores – Joana Galvão, Monica Palazzo, Max Julien, Ricky Mastro, René Guerra, Silvia Lourenço, Sabrina Greve, Rodrigo Diaz Diaz, Elzemann Neves, Gustavo Vinagre, Herman Barck e Luciana Lemos.


 


O filme é o quarto de uma série produzida pelo alemão Kristian Petersen que, nesta ocasião, reúne uma série de 12 curtas-metragens que falam da situação dos homossexuais em São Paulo.


 


O documentário britânico-brasileiro Waste Land, por sua vez, foi produzido pelo cineasta Fernando Meirelles e dirigido pela inglesa Lucy Walker. O filme acompanha o artista Vik Muniz no lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (RJ), onde inspira catadores a criar autorretratos com lixo.


 


Dentro da mostra Generation, Os Famosos e os Duendes da Morte de Esmir Filho, conta a história de um jovem de 16 anos que rememora com aversão e melancolia seu povoado natal, com a internet como único meio para poder expressar seus sentimentos.


 


Avós, de Michael Wahrmann, tem como protagonista o menino Leo e as descobertas que faz ao tentar trocar as meias e cuecas que ganhou de presente de suas avós no seu aniversário de 10 anos, tudo registrado pela câmera dada por seu avô.

Sem mais artigos