O Living Colour é uma das bandas mais injustiçadas de todos os tempos. Mesmo no auge de sua carreira, grande parte da mídia especializada torcia o nariz para o ataque sonoro dos riffs da banda enquanto falava mil maravilhas de outros grupos de qualidade absolutamente inferior à do quarteto novaiorquino.

Talvez seja por isso que o grupo conseguiu levar um público apenas razoável ao Via Funchal na noite desta quinta. Mas não dá para dizer que os veteranos do hard rock funkeado deixaram de fazer sua parte ou que decepcionaram seus fãs com a apresentação.

E olha que o show foi longo. Muito mais longo do que a maioria das pessoas ali esperava. Durante a apresentação, quem esteve na Vila Olímpia alternou momentos de euforia total e completa (Glamour Boys, Decadence, Burning Bridges) com momentos de mais admiração (Live It Alone, Sacred Ground).

E o que muita gente dizia no começo dos anos 90 sobre essa banda ainda vale. A energia do quarteto no palco só pode ser comparada à melhor fase de atos consagrados do funk’o’metal e do hard rock em geral como Red Hot Chili Peppers, Motley Crue e Pearl Jam. O vocalista Corey Glover continua com a garganta afiada com sua técnica de soul e levando a platéia no peito como fez durante toda a década passada.

O baixista Doug Wimbish ainda deu um show a parte em São Paulo, descendo do palco e tocando no meio do galera antes do intervalo que o quarteto tira para descansar. Enquanto o povo se aglomerava ao redor do músico na pista do Via Funchal, o responsável pelas quatro cordas (na verdade ele opera um contrabaixo de cinco cordas) não perdia as pausas e a levada da música enquanto levava o reduzido público ao delírio.

Isso sem falar no solo de bateria de Will Calahoun durante o intervalo. Formado pela renomada Berklee College of Music, o experiente percussionista mostrou toda a sua técnica em um show de luz e som enquanto seus companheiros foram ao backstage no meio do evento. Baquetas de neon, com leds brancos e até o escuro total foram suas armas enquanto martelava a bateria como se não houvesse amanhã.

O único ponto em que a banda ficou devendo foram mesmo algumas passagens muito longas na improvisação das músicas. Assim como nas mais recentes apresentações da banda pelo Brasil, o quarteto algumas vezes pecou pelo excesso e deixou a desejar no quesito. Não era tão difícil ver a platéia cantar a plenos pulmões as primeiras partes das músicas e depois cruzar os braços esperando o quarteto parar de viajar em cima das melodias.

Isso não tira o mérito do reformado Living Colour que mais uma vez tirou todo o som possível de se extrair de uma parede de amplificadores. Barulhento, técnico, criativo e com um set cheio de hits mesclados às faixas de The Chair In The Doorway, o grupo de Nova York deixou São Paulo com um gostinho de “quero mais” ao partir para o Rio de Janeiro onde faz hoje o último show desta perna brasileira da nova turnê.

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