Dietas vegetarianas bem planejadas podem ser adequadas para todos os estágios da vida, incluindo a adolescência e a infância. Mas um recente estudo da Universidade de Minnesota (EUA) revelou que 20% dos jovens que se dizem vegetarianos sofrem de distúrbios alimentares. Foram analisados os hábitos alimentares de 2.516 americanos com idades entre 15 e 23 anos e os resultados preocuparam os especialistas.

Segundo a endocrinologista do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional), Ellen Simone Paiva, essas dietas são pobres em proteínas, retinol (vitamina A), vitamina B12, zinco, gordura saturada e ácidos graxos poliinsaturados ômega 3. “E as dietas mais restritas, como as veganas, são particularmente deficientes em vitamina B12, ferro nas formas de melhor absorção e cálcio, sendo particularmente preocupantes nas mulheres grávidas, lactentes, crianças e idosos”, complementa.

No entanto, ela afirma que também há vantagens em ser vegetariano. “O maior benefício é a redução do consumo de gordura saturada, permitindo alcançar facilmente as recomendações de ingestão desse tipo de gordura, que deveria ser de até 10% do total das calorias diárias. Essa redução influencia favoravelmente os baixos valores de colesterol no sangue e na redução de 24% na mortalidade por infarto do miocárdio destas pessoas.”

Porém a médica não vê a retirada total da carne como um benefício, uma vez que esse alimento contém micronutrientes muito importantes à saúde das pessoas. “Tenho visto em minha clínica muitas garotas adolescentes vegetarianas com problema de sobrepeso. Isso se deve a uma dieta rica em carboidratos e gordura, onde as guloseimas e o chocolate têm um lugar bem definido. Elas simplesmente abolem a proteína animal e pensam que estão fazendo uma grande vantagem, mas da forma como fazem, não estão”, afirma a endocrinologista.

As proteínas de origem animal são as grandes fontes de vitamina B12 e ferro. “A falta de vitamina B12 no organismo pode manifestar-se em forma de anemia, passando por doenças vasculares com tendência à formação de tromboses, doenças cardíacas congênitas em crianças de mães deficientes em vitamina B12, chegando a quadros demenciais, que nos idosos podem ser confundidos com o mal de Alzheimer, e causarem danos neurológicos irreversíveis.”

Por isso, os riscos de anemia na infância por deficiência de ferro são maiores. A redução do cálcio, característica dessas dietas – uma vez que esse mineral está presente em grande quantidade apenas nos produtos lácteos – pode se constituir em risco à saúde óssea, devendo ser suplementada nos vegetarianos veganos.

Como substituir

Mesmo utilizando soja como única fonte protéica, as dietas ainda assim podem ser deficientes nos aminoácidos necessários. Um exemplo disso é o ferro, encontrado no feijão e vegetais folhosos, que não é absorvido eficientemente como o ferro da carne. “A melhor forma de substituir a deficiência de ferro da carne é através dos feijões e vegetais folhosos, sempre com uma forma de vitamina C associada, como um molho contendo limão ou um suco de fruta cítrica.” Mas a Dr. Ellen afirma que para as mulheres a situação é diferente, uma vez que elas perdem grande volume de ferro através do sangramento menstrual, tornando muito difícil a adequação sem suplementação.

Como aderir ao vegetarianismo corretamente

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