Numa década em que o tema “meio ambiente” ganhou as machetes e virou assunto obrigatório, o Eu Quero Salvar o Planeta listou dez produções cinematográficas que evidenciaram a destruição da natureza, mostraram a história daqueles que dão o sangue, literalmente, para preservar o meio ambiente e ajudaram a denunciar para o mundo histórias que precisam ser ditas para que a população saiba o que está acontecendo e possa, assim, pressionar nossos líderes por um amanhã melhor. 

– Mataram Irmã Dorothy:
aqui são revelados os bastidores do julgamento dos acusados pelo assassinato da missionária, morta em fevereiro de 2005 muito provavelmente como retaliação por sua luta contra o desmatamento na Amazônia. A missionária americana naturalizada brasileira, Dorothy Stang, por mais de 30 anos lutou para ver consolidado o Plano de Desenvolvimento Sustentável (PDS) na floresta amazônica. O modelo prioriza a ocupação equilibrada da região por pequenos agricultores familiares como forma de evitar a destruição da floresta. Desnecessário dizer que o sistema contrariava, e ainda contraria, os interesses dos grandes fazendeiros e madeireiros, muitos dos quais ocuparam a terra ilegalmente e lucram com a criação de gado em áreas de desmatamento. Dirigido por Daniel Junge, o filme também mostra a luta do irmão de Dorothy que vem ao Brasil acompanhar os julgamentos e passa a pressionar Brasília para que dê atenção ao processo. Um dos pontos que merece destaque é a recusa do Supremo Tribunal Federal (STF) em federalizar o caso e a hesitação do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos em se envolver diretamente com a história.



– A Era da Estupidez: o filme, que mistura documentário com ficção, mostra o personagem vivido pelo ator Pete Postlewaite no ano de 2055, em um mundo devastado pelas conseqüências do aquecimento global, assistindo a imagens de arquivo do início do século e se questionando porque deixamos o mundo chegar a este ponto enquanto ainda era possível fazer algo para reverter a situação (alô alô Copenhague?). Dirigido por Franny Armstrong, com trilha de Tom Yorke (da banda Radiohead) e rodado em países com Índia, Nigéria e Iraque, o filme mostra a destruição ambiental no mundo e alerta para a responsabilidade de cada indivíduo no combate à degradação. A estreia mundial foi em setembro.



– The Cove: o documentário, lançado em 2009 e que foi dirigido e produzido por Jim Clark, chocou o mundo ao virar os holofotes para a cruel matança anual de milhares de golfinhos em uma ilha no Japão. O governo japonês, já pressionado pela comunidade internacional por sua frota de navios baleeiros, foi ainda mais criticado pela falta de uma atitude energética contra a pesca predatória.



– Corumbiara: a produção de Vicent Carelli foi a vencedora do grande prêmio do 11° Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica), que aconteceu em junho deste ano. O filme mostra o massacre de um grupo de índios isolados na Gleba Corumbiara, em Rondônia, na década de 1980. Carelli coordenava o projeto Vídeo das Aldeias quando soube do massacre, denunciado pelo indigenista Marcelo Santos. O cineasta filmou as evidências, mas foi desacreditado, e a história caiu no esquecimento. Em 1995, Carelli voltou à região, encontrou uma aldeia abandonada e índios isolados, tudo também registrado no documentário.

– Uma mudança no mar: o longa-metragem norte-americano (A Sea Change, 2009), de Barbara Ettinger, tem imagens captadas em mares do mundo inteiro para mostrar o fenômeno da acidificação dos oceanos provocado pelo aquecimento global, e a consequente degradação da vida marinha.



Home: o filme, uma parceria entre o diretor Luc Besson (Joana D’Arc e O Profissional da Luz) e o fotógrafo Yann Arthus-Bertrand, foi lançado neste ano no Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho. Uma curiosidade do “ecofilme”, que mostra a atual situação do planeta, é que a estreia aconteceu, simultaneamente, não apenas nos tradicionais formatos cinema-tv-dvd, mas também através do Youtube. Tudo pela causa, não é mesmo?  



– O Fim da Linha: documentário The End of the Line foi feito para alertar o mundo sobre o problema da redução do estoque de peixes nos mares. O alerta é sério: se nada for feito, não haverá mais pesca nos mares já em 2050. Os peixes se reproduzem numa velocidade menor do que temos retirado das águas. Filmado ao redor do planeta, o documentário é baseado no livro do jornalista Charles Clover, que também passou mais de dois anos trabalhando nas filmagens junto com diretor Rupert Murray, e mostra a ganância da indústria pesqueira. O projeto foi concluido em 2008 e exibido pela primeira vez no Sundance Film Festival, em janeiro de 2009 nos Estados Unidos. Felizmente, no entanto, nem tudo é pessimismo no documentário. A Islandia é citada como um exemplo de país preocupado com a questão. Adota limites de pesca desde 1901. Os pescadores não podem retirar mais do que 25% do total de determinada espécie. Com apoio do governo, cientistas fazem medições pelo menos duas vezes por ano para garantir que os números estejam corretos, tornando a industria pesqueira daquele país sustentável.



– Garbage Dreams: o filme, do diretor Mai Iksander’a acompanha a vida de três “zaballeen”, expressão em árabe que significa algo como “pessoas que vivem do lixo”. Eles trabalham na separação e reciclagem do lixo de quase 18 milhões de pessoas no Cairo, capital do Egito. O trabalho dos três é ameaçado quando o governo decide privatizar os serviços de coleta de lixo. Quem gostou do que viu foi o bilionário Bill Gates que, por meio da Bill e Melinda Gates Foundation, doou US$ 1 milhão para uma organização local que treina jovens para trabalhar na seleção e reuso de lixo.



Fuel: dirigido por Josh Tickel em 2008, o filme coloca em evidência a dependência americano pelo petróleo e o poder exagerado da indústria petroquímica. Embora o tema não seja exatamente uma novidade, Fuel foi escolhido pelo público do festival Sundance como melhor documentário deste ano.



– História do Greenpeace: O Eu Quero Salvar o Planeta vai extrapolar um pouco os “dez mais” documentários da década e incluir a notícia sobre uma produção quer será rodada sobre aquela que é, provavelmente, a organização ambiental mais famosa do planeta. Ainda não há previsão de lançamento, mas estúdios de Hollywood já anunciaram que vão rodar a história da organização, baseada nos livros dos fundadores da organização: Warriors os the Rainbow – A Chronicle of the Greenpeace Movement (Guerreiros do Arco-íris – Uma crônica da organização Greenpeace), de Bob Hunter, e Greenpeace: How a Group of Ecologists, Journalists, and Visionaries Changed the World (Greenpeace: Como um grupo de ecologistas, jornalistas e visionários mudaram o mundo), de Rex Weyler. A organização começou, oficialmente, no dia 15 de setembro de 1971, quando um pequeno grupo de ecologistas e jornalistas levantou âncora do porto da cidade de Vancouver, no Canadá. O barco de pesca, de 24 metros, rumou para as Ilhas Aleutas, no Pacífico Norte, local onde os Estados Unidos conduziram um teste nuclear. No mastro, era possível ler em uma bandeira as palavras Green e Peace, influência direta do pacifismo contra a Guerra do Vietnã que já tomava conta de uma geração. Reza a lenda que o nome da organização foi fruto do acaso. As palavras isoladas, que expressavam a idéia de pacifismo e defesa do meio ambiente, não cabiam num broche que seria vendido para ajudar a arrecadar fundos para a viagem. Foi necessário juntá-las. Nascia o Greenpeace.

Obs: é claro que não esquecemos Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore, um marco do documentário ambiental que mostra como o aumento de CO2 na atmosfera está provovocando o processo de aquecimento global. Incluimos o filme na lista “dez mais da década” de personalidades que querem salvar o planeta.
 

Confira 10 documentários ambientais que marcaram a década

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