O Conselho de Ética do Senado rejeitou na tarde desta quarta-feira (19) as seis denúncias e as cinco representações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). A oposição pretende recorrer da decisão no plenário, mas os governistas argumentam que este recurso não está previsto no regimento.

Os processos dizem respeito a operações do neto de Sarney com crédito consignado na Casa, irregularidades na Fundação José Sarney, gravações que mostrariam ligações de Sarney com os atos secretos, a suspeita de que um assessor de Sarney teria usado prestígio para obter informações privilegiadas junto à PF e à acusação de que Sarney teria ocultado a propriedade de terras para não pagar impostos.

Com apoio de senadores de PMDB, PTB, PT e PC do B, foram rejeitadas três representações assinadas pelo PSDB, duas feitas pelo PSOL, quatro denúncias do líder tucano Arthur Virgílio e duas outras denúncias assinadas por Virgílio em parceria com Cristovam Buarque (PDT-DF).

A votação dos 11 processos foi dividida em dois blocos, o primeiro para avaliar as seis denúncias e o segundo para as cinco representações. O placar nas duas votações foi o mesmo: 9 votos contra 6.

VOTOS DE MINERVA

Com apenas cinco das 15 vagas de titulares no Conselho de Ética, DEM e PSDB precisavam do apoio dos três petistas – Ideli Salvatti (SC), Delcídio Amaral (MS) e João Pedro (AM) – para dar andamento às ações contra o peemedebista.

Durante a semana, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante, defendeu a abertura de pelo menos um processo contra José Sarney.

Mas, seguindo a orientação do presidente Lula, reforçada através de uma carta de Ricardo Berzoini, os três petistas votaram pelo arquivamento dos processos contra Sarney.

RELAÇÃO DOS VOTOS

Votaram a favor da abertura de processo contra José Sarney os seguintes senadores: Demóstenes Torres (DEM-GO), Eliseu Resende (DEM-MG), Marisa Serrano (PSDB-MS), Sérgio Guerra (PSDB-PE), Rosalba Ciarlini (DEM-RN), Jefferson Praia (PDT-AM).

Votaram contra a investigação dos processos: Wellington Salgado (PMDB-MG), Almeida Lima (PMDB-SE), Gilvam Borges (PMDB-AP), Inácio Arruda (PCdoB-CE), o vice-presidente do conselho, Gim Argello (PTB-DF), o corregedor Romeu Tuma (PTB-SP), além dos três petistas – o titular João Pedro (AM) e os suplentes Delcídio Amaral (MS) e Ideli Salvatti (SC).

*O presidente do conselho, senador Paulo Duque (PMDB-RJ) só votaria em caso de empate. O petista Eduardo Suplicy (SP) não votou, por ser o terceiro suplente do partido, mas deixou registrado que votaria a favor da investigação.

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