Segunda feira, durante o briefing para a sociedade civil feito pela própria UNFCCC, Connie Heideggard, que presidia a mesa, pediu a todos os presentes que não fizessem mais pressão sobre os negociadores e os governos.

Para ela, as ONGs já vêm fazendo muita pressão e muito barulho desde a última semana. Agora chegou a hora de confiarmos nos nossos líderes globais e acreditar que eles são capazes de fazer um acordo ambicioso e legalmente vinculante.

Segundo Connie, a COP-15 será a primeira e histórica vez que 110 Chefes de Estado se encontrarão na mesma conferência, e isso já é indício suficiente de que a sociedade civil deve acreditar nos nossos líderes globais e em sua capacidade de enfrentar um desafio desse tamanho.

Óbvio que mais cedo ou mais tarde ouviríamos isso da responsável da ONU pela participação da sociedade civil. Um pouco antes na própria segunda, havia sido anunciado o limite da participação de ONGs na COP-15. Desde terça-feira o acesso ao Bella Center para ONGs diminuiu drasticamente. Cada ONG recebeu um crachá secundário, e as delegações ongueiras diminuíram para em média 30% do seu tamanho original para acesso ao Bella Center durante ontem e hoje. Para amanhã (5ª feira) apenas mil pessoas de ONGs terão acesso – sendo que estão cadastradas mais de 14 mil pessoas. E sexta-feira, último dia de negociações, apenas 120 pessoas entrarão no prédio. Hoje foi anunciado que, para os barrados no baile (grupo no qual eu me incluo), haverá um novo espaço fechado, no centro de Copenhague, onde os discursos dos estadistas serão transmitidos ao vivo.

Com ou sem espaço paralelo com telão, ficam as questões: será que a sociedade civil esgotou de fato suas possibilidades de ação e de pressão sobre os governos e os negociadores? Será que essa atitude por parte da UNFCCC não compromete a transparência, a legitimidade e a democratização da Conferência? Será que realmente confiamos na capacidade dos nossos líderes políticos para fazer um acordo do tamanho do desafio que as mudanças climáticas representam?

Temos até sexta para ver as cenas do próximo capítulo, mas do jeito que a segunda semana de negociações está andando, eu estou duvidando no “sim” para qualquer uma dessas questões.

Ah sim, um pequeno detalhe: Connie renunciou ao cargo de presidente da cúpula hoje, quarta-feira. Ela foi acusada de beneficiar apenas os países ricos, principalmente na questão do financiamento aos países pobres para que consigam cumprir suas metas de redução. Culpa da pressão das ONGs ou  dos líderes mundiais de países em desenvolvimento?


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Correspondente conta com ONGs foram barradas na COP-15, em Copenhague