O Dalai Lama lamentou neste domingo o “período difícil” que atravessa a cultura tibetana em uma visita ao estado indiano de Arunachal, território disputado com a China.

“Minha visita à localidade de Tawang é apolítica e tem como objetivo promover a fraternidade universal”, disse à agência indiana Ians. Na ocasião, o Dalai Lama contestou às críticas do Ministério chinês de Exteriores, cujo porta-voz, Ma Zhaoxu, o chamou em 3 novembro de “separatista”, ao entender que com sua viagem está apoiando indiretamente à Índia, e o acusou de dizer “mentiras que danificam as relações entre China e outros países”.

“É usual que China faça campanha contra mim. Não tem nenhum fundamento que o Governo comunista chinês diga que estou encorajando um movimento separatista”, disse o líder espiritual tibetano à imprensa no mosteiro de Tawang.

Segundo um comunicado do Governo tibetano no exílio, o Dalai Lama aterrissou hoje em um helicóptero em Tawang – perto da fronteira com a China – e foi recebido pelas autoridades de Arunachal e cerca de 800 monges.

Para ele, esta região tem um significado especial. Foi lá em 1959, após a fracassada revolta tibetana contra a China, que ele cruzou a fronteira e começou o exílio na Índia.

“Os chineses não nos perseguiram em 1959, mas quando cheguei à Índia começaram a falar contra mim”, disse.

Além de Arunachal, o líder budista irá até 15 de novembro às localidades de Dirang e Bomdila.

Recentemente, a China demonstrou irritação com a visita a Arunachal do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, por causa do pleito regional.

Os gigantes asiáticos têm relações estremecidas em outros âmbitos, como em infraestruturas nas regiões em disputa e inclusive sobre a maneira que a embaixada chinesa em Délhi emite vistos para os caxemirianos.

Em 1962, a China e a Índia protagonizaram uma guerra pela soberania dos estados da Caxemira, Arunachal e Sikkim, e têm ainda disputas por resolver.

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