Em uma explicação dada pelo jornalista Eduardo Martins, autor do manual de redação do jornal O Estado de S. Paulo, a expressão “acabar em pizza” tem forte ligação com o mundo esportivo. Segundo o jornalista, na década de 50, dirigentes do Palmeiras teriam discutido na sede do clube. Posteriormente, se reuniram em uma pizzaria, como bons italianos, e decidiram deixar a confusão para trás.

Se é verdade ou não, o fato é que a expressão “acabar em pizza” ficou conhecida no Brasil inteiro. É usada constantemente para ilustrar situações em que tudo ficou no zero a zero, na mesma. E já é comum no Brasil, especialmente no esporte – e também na política – situações em que há apuração, investigação, mas na hora da conclusão… “terminar em pizza”.

Como hoje, 10 de julho, é o Dia da Pizza no estado de São Paulo, o VirgulaEsporte listou cinco casos que confirmam a preferência das autoridades brasileiras pelo prato preferido do paulistano.

Confira:

CPI do futebol

Em 2001, o relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do futebol foi aprovado. No documento, acusações contra cartolas, dirigentes de federações, empresários e, até mesmo, contra a autoridade máxima do futebol nacional, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Mesmo com os fortes indícios de lavagem de dinheiro, apropriação indébita, sonegação de impostos e evasão de divisas, nada aconteceu aos acusados.

Em 2007, tentou-se, novamente, a instalação de uma CPI para a averiguação de irregularidades tributárias no esporte. Contudo, a proximidade da escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 e as possíveis baixas que o país poderia sofrer mediante indagações sobre o caso, abafaram o caso. Mais uma vez.

Gás no Palestra

Na semifinal do Paulistão de 2008, Palmeiras e São Paulo jogaram no Palestra Itália. O time alviverde venceu e avançou à decisão contra a Ponte Preta, contudo, a história da partida não se resumiu a uma vitória palmeirense. No intervalo daquele confronto, o vestiário do São Paulo foi parcialmente coberto por gás de pimenta, fazendo com que os jogadores do time do Morumbi tivessem de passar os 15 minutos de descanso no meio do campo de jogo, com o técnico tricolor, Muricy Ramalho, inclusive, vomitando e passando mal em campo.

As primeiras suspeitas, na época, eram de que algum torcedor pudesse ter lançado o gás através da tubulação de ar que culminava dentro do vestiário dos visitantes. A partir daí, várias outras hipóteses foram levantadas, até que o Palmeiras foi punido com a perda de um mando de jogo e a multa no valor de R$10 mil. O inquérito instalado para descobrir o que realmente aconteceu, e que chegou a durar um ano inteiro, nada apontou, e foi arquivado por “falta de vítimas”.

Edílson Pereira de Carvalho

O ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho foi pivô do escândalo da ‘máfia do apito’, que abalou o futebol brasileiro no ano de 2005. Naquela temporada, o então juiz foi acusado de se envolver com apostadores e receber dinheiro fixo para manipular o resultado de partidas do nacional, que tiveram de ser anuladas.

Mesmo com todas as confirmações de sua presença na máfia, o mais perto que chegou de ser preso foi quando descobriram todo o esquema em que estava envolvido, quando ele foi algemado em sua casa, clicado pela câmera de alguns repórteres e levado para prestar depoimento. Depois disso, foi apenas expulso do quadro de arbitragem da FIFA e da CBF e, posteriormente, banido do futebol. Contudo, hoje leva uma pacata vida no interior de São Paulo, na cidade de Jacareí, aonde cuida há algum tempo do bar de um amigo e bate uma bolinha aos finais de semana.

Ivens Mendes

Em 1997, Ivens Mendes, presidente da CONAF (Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol) – entidade que era responsável pela escalação de juízes nas competições do futebol brasileiro -, foi acusado de participar de um esquema de corrupção dentro da CBF. Após gravações telefônicas divulgadas por jornalistas do Jornal Nacional, da Rede Globo, verificou-se que a voz de Ivens era apontada como a origem de supostos subornos: o dirigente pedia dinheiro para cartolas de clubes em troca de possíveis benefícios de arbitragem em partidas de torneios nacionais.

No dia seguinte da divulgação das gravações, Ivens pediu afastamento de seu cargo, declarando-se inocente das acusações de usar o dinheiro pedido aos cartolas para usar em sua campanha para deputado federal pelo estado de Minas Gerais, em 1998. Além disso, antes de falecer pouco tempo depois da polêmica, o ex-presidente da CONAF não compareceu a nenhuma audiência marcada.

Vale lembrar que o caso, lógico, terminou em pizza. O processo não seguiu adiante, pois foi originado pelas gravações ‘clandestinas’ das ligações, o que foi considerado ilegal. Os clubes envolvidos não sofreram nenhuma sanção firme da CBF, como, por exemplo, serem suspensos de competições do calendário brasileiro e, ainda por cima, a entidade maior do futebol do Brasil usou o caso para cancelar os rebaixamentos de Fluminense e Bragantino, que haviam sofrido o descenso no Brasileirão de 1996.

MSI

A parceria do Corinthians com a MSI (Media Sports Investiments) foi obscura desde o seu início, no final de 2004. O fundo de investimentos presidido pelo iraniano Kia Joorabichian nunca revelou de maneira clara de onde é que vinham os milhões que estavam sendo aplicados no Parque São Jorge e, com o tempo, a obviedade da origem fraudulenta do dinheiro deu lugar a certeza de que o alvinegro havia se enfiado em maus lençóis.

Ficou-se sabendo que o russo Boris Berezovski, apontado pelo próprio Kia como o detentor do poder financeiro da MSI, era condenado em seu país por crimes, como, por exemplo, peculato (apropriação de dinheiro público) e estava vivendo como refugiado na Grã-Bretanha.

Mesmo com todas as investigações realizadas e concretizadas pelo Ministério Público e com as prisões de vários envolvidos decretadas, nada aconteceu aos acusados, inclusive, aos dirigentes corinthianos na época, como Alberto Dualib, Nesi Curi, Renato Duprat Filho e Paulo Angioni.

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