As autoridades de Dubai asseguram que já tinham antecipado uma reação dos mercados após conhecer-se a decisão de pedir uma moratória para a dívida do consórcio Dubai World, mas continuam convencidas da solidez econômica desse emirado.

A Dubai World – um consórcio estatal do setor financeiro, portuário e imobiliário – anunciou na quarta-feira sua decisão de solicitar a seus credores uma moratória de seus compromissos de dívida até o dia 30 de maio próximo.

Com esta decisão, o consórcio, um ícone das economias do Golfo Pérsico, gerou uma tempestade nas bolsas de valores, diante do primeiro sinal de fraqueza de uma das economias mais pujantes do mundo.

“O Governo está dirigindo a reestruturação desta operação comercial com total conhecimento de como poderiam reagir os mercados”, afirmou hoje o presidente do Comitê Supremo Fiscal de Dubai, Ahmed bin Said al-Maktoum.

O Dubai World, um dos três maiores conglomerados de Dubai, tem um passivo consolidado de US$ 60 bilhões. No dia 14 de dezembro tinha que pagar aos credores uma dívida em bônus no total de US$ 3,5 bilhões.

Ser ícone não basta

“Como a General Motors averiguou no ano passado e o Governo de Dubai descobriu agora, o status de ícone não garante a segurança financeira”, escreve em sua coluna de hoje no jornal árabe The National o comentarista Frank Kane.

Segundo Kane, o Dubai World enfrenta “decisões difíceis” e possivelmente terá que ver a possibilidade de reduzir seu tamanho no final do processo de reestruturação de sua dívida.

Maktoum, em seu comunicado, diz que a decisão de pedir um atraso nos compromissos de dívida foi “cuidadosamente planejada e reflete uma posição financeira específica”.

Maktoum acrescenta que Dubai, da mesma forma que outras cidades do mundo, não conseguiu ficar à margem dos “desafios sociais e econômicos nesta derrocada global”. “Nenhum mercado está imune a influências econômicas”, acrescentou.

Garantias

Mas o responsável do Governo acredita que, apesar desse passo, “os pilares econômicos, incluindo a infraestrutura altamente desenvolvida, seu centro nervoso em transporte e comunicações, e seu centro regional financeiro, garantem que Dubai se mantenha como um mercado regional atrativo”.

Além disso, as autoridades monetárias de Dubai anunciaram que dois bancos dos Emirados Árabes Unidos, o National Bank e Al Hilal Bank, tinham assinado na quarta-feira o total de uma emissão de dívida pública no valor de US$ 5 bilhões em bônus a longo prazo.

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