Após gravar, em 2008, um álbum totalmente cantado em inglês, Chapter 9, Ed Motta literalmente virou a página para começar um novo capítulo em sua trajetória musical. O cantor e compositor deixou de lado as influências do jazz e do rock para retornar com força total ao pop em seu décimo álbum, Piquenique.

Além de voltar a cantar em português e retomar suas raízes pop, o músico inaugurou uma nova parceria – que, se depender dele, irá continuar pelo resto de sua carreira. As 18 composições de Piquenique foram compostas em parceria com sua esposa, Edna Lopes, em um álbum que conta com a masterização de Herb Powers Jr. e co-produção de Ed Motta e o cantor e instrumentista Silveira.

Em entrevista ao Virgula Música, o músico fala sobre os problemas de distribuição de Piquenique, a crise da indústria fonográfica e sobre sua relação com a crítica de música no Brasil.

Piquenique traz a estreia de sua parceria com sua esposa, Edna Lopes. Como surgiu a ideia de trabalhar juntos?
A parceria surgiu por acaso, durante uma brincadeira. Daí ficou tão bom que resolvemos continuar. A relação da Edna com a palavra é muito rica, muito complexa, e para mim foi um recomeço trabalhar com ela. Comecei tudo de novo. Se depender de mim, agora eu só trabalho com ela.

Por que você resolveu retornar ao pop neste novo álbum, após incursões por outros estilos como o jazz e o rock?
Eu amo pop, nunca abandonei esse estilo. Mas com certeza Piquenique é o álbum mais pop da minha carreira, é 100% pop. É como misto quente e caviar: não é só porque o caviar é mais caro que é melhor do que o misto quente. É a mesma coisa com o pop e o jazz. Ambos são ótimos estilos. Mas não é porque o álbum é pop que ele é simples – Piquenique é bastante complexo, repleto de sintetizadores.

Em seu perfil no Twitter, você reclama da distribuição ineficaz de seu novo álbum, e pede ajuda aos piratas para auxiliar na divulgação. Você acha que o CD morreu mesmo?
A distribuição está mesmo péssima, é um fato. Como um álbum de música pop não está disponível em loja nenhuma? É tão decepcionante e desanimador que prefiro fingir que nada acontece. Então é lógico que o pessoal que está colocando o álbum na web me ajuda.

Quanto ao CD, eu acho que o formato resiste. Mas sou suspeito – como sou um colecionador, que tem mais de 20 mil vinis em casa, sempre acho que todo mundo é igual. Sou tão viciado em música que cheguei a um ponto que parece doença psicológica, eu durmo pensando em vinil. Sou um consumidor frenético de música.

A crítica recebeu com entusiamo seu novo álbum. Qual sua relação com a crítica musical?
Quando falam bem do meu trabalho, é lógico que fico feliz. Mas quando falam mal eu também preciso ficar na boa, porque sei que eles estão errados. Eu passo meses no estúdio trabalhando para que o álbum fique perfeito, então não tem como sair um CD ruim. Sem contar que a maioria dos críticos ouve na pressa, então não sabem do que estão falando.

Como você chegou no nome de Herb Powers Jr. para a masterização do álbum?
Eu sou um cara que vive do passado. Por isso, quando falei com o co-produtor, o Silveira, disse que queria que ele desse um toque contemporâneo ao álbum. Queria que Piquenique soasse moderno, e para um cara que ouve muito música antiga isso é complicado. Foi por isso que o Silveira me indicou o Herb Powers, e acho que o resultado ficou incrível.

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