A voz de Érika Martins ficou conhecida nacionalmente por meio da banda Penélope, dos hits Holiday e Namorinho de Portão. Cinco anos após o fim do grupo, Érika finalmente lança seu primeiro álbum-solo, que leva seu nome.

 

Para os fãs da extinta Penélope, Érika Martins é um CD bem fácil de curtir. Tendo como pano de fundo os relacionamentos, sob uma ótica extremamente feminina, ela faz de seu álbum de estreia uma espécie de diário. As letras falam de competitividade feminina, homens, amor e saudades – tudo isso misturado a muito rock, baladas “pegajosas” e a voz marcante da cantora.

 

O Virgula Música falou com ela para saber detalhes das gravações do CD e matar a curiosidade sobre seus novos planos. Leia a conversa e assista aos clipes de duas músicas do novo álbum, Sacarina e Lento.

 

 

Foi um longo período entre o fim da Penélope e o lançamento de seu primeiro álbum solo. A que se deve essa demora?

Muitas coisas aconteceram nesse período. Comecei a gravar o disco com a produção de Tom Capone. Cheguei a gravar uma música com ele (Me Provocar), que foi a última que ele produziu. Após toda aquela tragédia (o acidente que tirou a vida do produtor), dei um tempo na gravação.

Pensei em quem poderia recomeçar o trabalho, e daí pensei no (produtor) Carlos Eduardo Miranda. Para minha sorte, ele topou. Nós já nos conhecíamos há muito tempo e sempre quisemos fazer alguma coisa juntos. Depois, convidei a Constança (ex-Penélope). Eles fizeram um trabalho excelente. O Miranda deu aquela direção geral e a Constança foi mais minimalista, feminina. Mas, durante todo esse tempo, não fiquei parada. Continuei tocando muito, inclusive em cidades onde nunca tinha estado, como Macapá, e várias cidades do interior de São Paulo.

O pessoal que curtia a Penélope vai ter algum estranhamento com o novo CD? Quais são as diferenças, em termos de sonoridade?

 

Tem algumas diferenças. A primeira foi a pedido da produção do álbum, que sugeriu que eu trabalhasse com timbres mais graves. Na Penélope, ficava sempre nos agudos, então acabei me acostumando com isso. Foi bacana fazer algo diferente. Outra novidade são os temas das músicas, que são mais divertidos, mais ácidos, têm mais senso de humor. Agora, acho que estou mais descolada, mais tranquila, e o o som da Penélope era mais denso. Mas continua sendo um álbum autobiográfico, e os fãs vão reconhecer isso, que é uma característica minha.

Como surgiu a ideia da parceria com Juliana Venegas? Você já conhecia o trabalho da cantora mexicana?


Quem nos apresentou foi o Tom Capone, há cinco anos. Ele falou: ‘Você vai gostar dela, tem um som parecido com o seu’. Me apaixonei por suas músicas, e acabamos ficando amigas. Ela sempre vem para o Brasil e a gente sai pra fazer coisas de menina.

Você também conta com a parceria de outros compositores e músicos. Como isso interferiu no resultado do CD?     

                   
As parcerias deixaram o som mais bem acabado. O que é para ser rock, está mais rock. O que é para ser balada, está mais balada. Também pedi música para alguns compositores de quem sou super fã, como o Pedro Veríssimo (Sacarina), que eu adoro. E tem uma música do Eduardo Penna (Nada Sem Você), que é um momento divertidíssimo do show, é uma canção muito despretensiosa.

Quando você lançou o primeiro CD com a Penélope, a indústria fonográfica ainda era muito forte. Agora, o mercado está completamente mudado. Como você encara a fase atual?


Acho que não sou o tipo de artista que é prejudicada por isso. Na época da Penélope já tinha pirataria, mas a gente não era atingido. Agora, acho que vai ser a mesma coisa. Nosso público é aquele que gosta do encarte, que chega nos shows com o CD para autografar, que curte mesmo.

Sua banda chegou a se chamar Érika Martins e os Telecats. Por que decidiu mudar?

Com Érika Martins e os Telecats, a carreira já era solo, só que eu tinha uma banda que me acompanhava e que era fixa. Mas comecei perceber que as pessoas estavam se confundindo muito com isso. E quando você começa a ter que explicar demais, é porque algo não funciona. Mudei o nome para deixar bem claro que era a minha retomada do poder. Além disso, a formação da banda também está completamente diferente.

Boa parte das músicas do álbum são parcerias com Gabriel (líder do Autoramas). Como é compor com seu marido?

É muito fácil compor com ele, porque é ‘em casa’. E ele foi muito inteligente na hora de compor, se transformou exatamente no que eu quis. As músicas que ele compõe comigo são totalmente diferentes daquelas do Autoramas, por exemplo.

Como surgiu a ideia de gravar Ainda Queima a Esperança, de Raul Seixas e Mauro Motta?

Eu adoro os cantores da década de 70, que eram chamados de cafonas, inclusive a Diana, que imortalizou essa música. Quando resolvi gravar, nem sabia que era do Raul. Até brinquei: ‘Sempre acabo colocando baianos nos meus discos’.

Agora, o que todos querem saber: o álbum já foi lançado oficialmente? Quando poderemos escutar o CD e ir aos shows?


Érika Martins já está nas lojas! Mas a gente está fazendo vários lançamentos. Começamos com um pocket show na Fnac. Temos ainda outro show no Rio de Janeiro, no dia 2 de outubro. Também vamos tocar em São Paulo, mas não tenho a data. A gente quer tocar no Brasil inteiro.

 

Lento (participação de Julieta Venegas)

 

 

Sacarina

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