A Esplanada dos Ministérios, construída no fim da década de 1950, pode ganhar uma reforma “verde”, com técnicas de construção sustentável para reduzir o consumo de energia e até as emissões de gases de efeitos estufa dos 16 prédios que compõem o conjunto. A proposta foi apresentada hoje (19) durante o seminário Construções Sustentáveis para uma Nova Economia.

Além da retrofitagem – processo de modernização – dos prédios antigos, o projeto inclui a construção de sete novos edifícios anexos que abrigariam órgãos do governo federal que atualmente funcionam em prédios alugados em outras áreas de Brasília. Para sair do papel, a ideia deve custar R$1,6 bilhão, financiados por meio de uma parceria público privada (PPP).

“O governo vai pagar com o que economizar com o consumo de água e energia e com projeções imobiliárias em Brasília”, calcula o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Simão.

Para se tornar ecologicamente corretos, os prédios passariam por mudanças na parte elétrica, para garantir eficiência energética, inclusão de mecanismos de economia de água e utilização de vidros com menor absorção de calor para reduzir o uso de aparelhos de ar condicionado, por exemplo.

De acordo com Simão, a ideia foi discutida pela primeira vez em 2008 durante uma reunião internacional da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo Simão, o projeto é visto pela OIT como uma “grande contribuição do setor da construção civil para a criação de empregos verdes”.

Simão, que também é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o Conselhão, órgão de assessoramento do presidente da República, disse que já apresentou o projeto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e que tem apoio do Ministério do Meio Ambiente.

Esta semana, o empresário deve discutir a “reforma verde” com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A pasta é responsável pela gestão do patrimônio imobiliário da União. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ainda não foi consultado.

“Os edifícios da Esplanada são prédios de 50 anos, que têm tudo a ver com a anti-sustentabilidade. Podemos criar um exemplo mundial”, disse.

Durante o seminário, empresários, representantes de governos, da sociedade civil e de universidades apontaram os principais gargalos da construções sustentáveis no Brasil, entre eles a falta de escala na produção de materiais de construção com menos impactos ambientais – como sistemas alternativos de aproveitamento de energia – e os baixos investimentos no desenvolvimento de novas tecnologias para o setor.

Sem mais artigos