A combinação histórica de medidas populistas, políticos despreparados, corrupção e golpes de estados são alguns dos elementos que faz com que os empresários da América Latina confiem pouco em seus governos. É isso o que indica uma pesquisa da consultoria espanhola Llorente & Cuenca, divulgada nesta segunda-feira (29) no jornal O Estado de S.Paulo.

De acordo com a publicação, entre as principais insatisfações estão com a política externa destes países e também a falta de apoio para a atividade empresarial. Segundo a estudo, realizado com mil empresários e políticos da América Latina e Espanha, 76% dos entrevistados não confiam nas ações do governo e 72% reclamam da insegurança jurídica em seus países.

Até mesmo o Brasil, que notadamente tem um diálogo melhor entre empresários e governos, o resultado da pesquisa foi satisfatório. Com a crise, o governo brasileiro conversou mais com as empresas, o que resultou em algumas medidas para combater o cenário turbulento. Apesar disso, o grau de insatisfação é semelhante ao de países vizinhos como Venezuela e Argentina.

Pela pesquisa, 84% dos homens de negócios ouvidos no Brasil não acreditam nas políticas de governo. Além disso, 96% deles acreditam que têm pouca influência na elaboração de políticas econômicas para o país. O diretor da LLorente & Cuenca e coordenador do estudo no Brasil, Thomas Traumann, explicou que este índice é praticamente igual ao da Argentina.

Um dos pontos críticos apontados pelo levantamento é a falta de segurança jurídica para realização de negócios no país. Para os empresários que participaram da pesquisa, 85% consideram o grau de segurança das leis nacionais ruim, muito ruim ou regular. Neste quesito, o Brasil fica atrás somente do México e do Equador.

Outro ponto fraco do governo brasileiro, de acordo com o levantamento, ficou por conta da percepção destes empresários quanto às políticas públicas, principalmente no que diz respeito às relações com outros países e acordos comerciais que poderiam contribuir para o aumento das exportações das empresas. Entre os ouvidos, 73% declararam não se sentirem apoiados pela política externa do governo.

Por outro lado, o fato da pesquisa ter sido realizada entre outubro de 2008 e janeiro deste ano pode explicar o resultado tão fraco do Brasil. Esse foi o período do auge da crise financeira e antes do governo anunciar outras medidas de incentivo à economia. Porém, essa indisposição do setor privado com os políticos também está relacionada ao peso do governo na atividade econômica, que faz (ou não) o país avançar.

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