A rivalidade dos festivais de rock realizados neste fim de semana em São Paulo não ficou apenas na disputa por público. Partiu para o futebol. Do lado do Maquinária Festival, o americano Mike Patton, vocalista do Faith No More, usou gravações da torcida do Palmeiras para agitar a plateia. Patton tem carinho pelo time paulista por causa da influência do amigo palmeirense Iggor Cavalera, ex-baterista do Sepultura e hoje no Mixhell e no Cavalera Cospiracy.

Atração do Planeta Terra Festival, Paul Smith, líder da banda britânica Maxïmo Park, foi visto com camisa do Santos. No palco, em apresentação no sábado, Smith contou que aproveitou a estada em São Paulo para conhecer o Museu do Futebol.

Não foram as primeiras vezes em que roqueiros gringos resolveram adotar um clube brasileiro sem saber sequer um fiapo da história dos times escolhidos. Mick Jagger, vocalista do Rolling Stones, já afirmou que morre de amores pelo Flamengo; e seu companheiro de banda, o guitarrista Ron Wood, garantiu que o coração bate mais forte quando o Botafogo entra em campo. Difícil de acreditar.

As histórias entre bandas internacionais e clubes cariocas não param por aí. Iron Maiden e Vasco vivem um caso de amor desde 1987, quando a Força Jovem tomou o mascote do Iron Maiden, Eddie, para estampar bandeiras e camisas da torcida organizada vascaína. Para reforçar os laços, o baixista Steve Harris e o guitarrista Janick Gers foram à decisão do Campeonato Brasileiro de 2001, em São Januário. O grupo estava na cidade para tocar no Rock in Rio. No evento, Harris não pôde abrir uma bandeira com Eddie e o símbolo do Vasco. O organizador do festival Roberto Medina entendeu que a atitude poderia gerar brigas.

O ucraniano tresloucado Eugene, vocalista do Gogol Bordello, não é um torcedor fiel. No violão do homem de frente da banda, que se apresenta nesta terça-feira em São Paulo e na sexta no Rio de Janeiro, constam escudos de vários times do Brasil.

Dois casos recentes aconteceram em Porto Alegre. Geralmente os irmãos Gallagher, do já finado Oasis, não concordam um com o outro. Mas o golaço de Nilmar contra o Corinthians em maio, na primeira partida do Brasileiro, resolveu o problema. Eles ganharam uma camisa do atacante do Internacional. Juram que são colorados graças ao “garoto do gol incrível”, apelido dado pelo guitarrista Noel Gallagher. Lenda do rock americano, o guitarrista Chuck Berry ganhou uma camisa do clube rival, o Grêmio. Mas a empolgação não foi tanta assim.

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