Leia o depoimento de músicos, DJs e fãs de Michael Jackson sobre a sua partida, o legado que ele deixou e algumas histórias curiosas.

“O primeiro disco que eu comprei na minha vida foi “Thriller”. Em dezembro 82 eu tinha 10 anos e minha tia me levou na  loja Hi-Fi da Rua Augusta para comprá-lo. Portanto tudo começou aí pra mim. É por isso que eu estou aqui hoje. Para deixar a historia mais sentimental e inesquecível, Michael morreu no mesmo dia que Wilson Simonal”, (Max de Castro, músico)

“Eu estou muito chocado ate agora. Lembro que comecei a gostar de dançar vendo os seus videoclipes. Acompanhei sua carreira desde menino até os dias de hoje. Quando eu era pequeno, ficava treinando o moonwalk de meia, no chão de casa e não sosseguei enquanto não aprendi. Adorava me exibir no recreio da escola e cheguei a dançar em muita festinha de aniversário. O cara morreu tentando bater seu próprio recorde de vendas. Acho que o título da biografia não autorizada escrita pelo jornalista J. Randy Taraborrelli define bem a trajetória dele, ‘Michael Jackson – A magia e a loucura’” (Luiz Fernando Almeida, produtor e empresário)

“Michael, a gente te ama onde quer que você esteja, já que você fez parte de nossas vidas desde pequeno, quando tínhamos medo do clipe de ‘Thriller’ que passava no Fantástico ou quando queríamos dançar que nem você na epoca de ‘Bad’. Você fará falta na nossa vida!”, (Rodrigo Gorky, DJ do Bonde do Rolê)

“Tenho até camiseta com desenho dele e do Slash, lembro de quando vi no Fantástico o vídeo de “Thriller”, morri de medo, principalmente com a risada do final, fiquei assustado durante dias. Tempos depois minha irmã estava com o vinil, ela me trancou no quarto escuro e colocou a música bem alto só pra me assustar. Quando o medo passou comecei a gostar dele, fazia coreografias com meus primos, a dança dos zumbis e me divertia muito com isto. Guardo até hoje recortes que saíram em revistas como Capricho e Manchete. Eram da minha irmã mas peguei pra mim e guardo com todo carinho, quando soube de sua morte a primeira coisa que fiz foi correr atrás destes recortes. Lá havia uma foto dele com Brooke Shields, lembrei como achava os dois lindos” (Celso Tavares, DJ e fotógrafo)

“No último sábado fiz um cover surpresa no meu show, e a música escolhida foi ‘Thriller’. Até imitei a coreô que ainda lembrava de meus tempos de infância! Enquanto todos meus amigos só falavam em Guns n’ Roses e Nirvana, eu tinha posters de Michael e Prince na parede do meu quarto. Costumava dublar e dançar seus hits (com direito a luva de pelica e uma peruca horrorosa). Se Michael Jackson não existisse, Boss in Drama não existiria também. Ou seria completamente diferente. Ele é culpado por moldar minhas referências quando criança, e fazer me interessar pela disco e funky music.”, (Péricles Martins, Boss in Drama)

“O primeiro disco que ganhei na minha vida aos cinco anos se chamava: ‘Diana Ross Presents The Jackson 5’. ‘Off The Wall’ é um dos meus discos de ‘cabeceira’. o Michael esteve então desde sempre na minha vida. Usava blackpower, imitava suas danças e aprendi muito de música escutando suas canções. Em um determinado momento juntou através da sua música povos de diversas etnias, religiões e culturas. Hoje, 25 de junho, também morreu há nove anos Wilson Simonal. Outro gênio da música. A partir de hoje esse dia pra mim será dia de Reis. O homem com todas as suas virtudes e defeitos se vai. Mas a música fica pra sempre.” (Wilson Simoninha, músico)

“Alguns ídolos são insubstituíveis pelo papel que eles fizeram na história e principalmente nas nossas vidas. O Michael tinha uma identidade, algo  único que TODO MUNDO aprovou. A voz, as danças, isso NUNCA vai ser esquecido porque moonwalk é igual falar “a dancinha do Michael”. Clássicos não tem estilo musical, simplesmente é um clássico e todo mundo um dia pegou e ouviu! E claro, talvez pra quem não cresceu  ouvindo Michael Jackson talvez não esteja sentindo na mesma forma que pra gente, mesmo pra quem não era fã. Algo inacreditável porque parece que aquele cara nunca iria morrer. E eu que me matei pra conseguir o ingresso do show! Sempre estava esgotado e quando eu consegui custava muitos e muitos euros que já nem lembro mais. Me enchi de esperanças quando vi que seria possível uma vinda dele pra Alemanha no ano que vem… masssss… infelizmente não deu tempo. Lembrei também de um dia ano passado, quando estava esperando o ônibus em Santos, e uma menina de talvez uns 12 anos ouvindo o seu mp3 player do outro lado da rua e do nada ela parava no meio da calçada e fazia uma dancinha muito característica do Michael! Com o dedinho pra cima e tudo! Andando pra trás (o que não era um moonwalk porque não dava pra fazer na calcada, haha). Foi MUITO engraçado isso. Mas o legal é dizer que ela dançando aquele jeito dava pra saber que ela tava ouvindo Michael e porque ela tava curtindo muito o som e não ligando pra ninguém da rua e todo mundo olhando e rindo! E ela devia ter uns 12 anos e ele já fazendo parte da história dela também!” (Tatiana Lafraia, brasileira morando na Alemanha)

“Eu lembro bem de quando Michael veio para o Brasil. Eu tinha cinco ou seis anos e gostava de imitá-lo em frente à TV, minha mãe achava graça. Eu era muito pequeno para ir ao show, mas fiquei grudado no programa do Gugu e achei o máximo vê-lo gravando com o Olodum. Ele é um grande ídolo, passei a vida inteira ouvindo as fitas K7 e babando nos videoclipes, mas ele tem um lance especial que, até hoje, me tira arrepios sempre que ouço ‘Thriller’ ou ‘Off The Wall’, acho que nenhum outro tem. De um ano pra cá eu sempre abro meus sets com um remix de ‘P.Y.T.’, que pra mim é uma das melhores músicas ever.” (DJ Goos)

“O Michael simplesmente é pra nós o maior artista de todos os tempos. Ele sempre vai ser lembrados por nós como o Rei do Pop pois inovou o pop rock do mundo com suas músicas, batidas e seu jeito maravilhoso de dançar. Tenho certeza que jamais irá surgir alguém que consiga desbancar o MJ, ninguém sabe dançar como ele dança, muitos imitam, fazem covers mas ele é único! Quando ele veio ao Brasil eu tinha apenas 6 anos e meu irmão era apenas um bebê, não pudemos ir, só fui saber que meus pais e 2 primos tinham ido quando eu tinha 18 anos, assim mesmo eu fiquei bravo com meus pais por não ter me contado que iriam ao show… Hoje sei que se eles tivessem me falado na época eu com certeza iria querer ir, mas não tinha condições de assisti-lo! Estou profundamente frustrado com tudo isso, pois ver um show do MJ era um sonho tanto pra mim quanto pro meu irmão, quando soubemos da promoção fizemos de tudo pra fazer o melhor vídeo pra competição. Fizemos com muito esforço e ganhamos. Nosso sonho estava muito próximo da realidade, já tínhamos planos do que fazer em Londres, iríamos gravar entrevistas com as pessoas na fila do show, porém tudo se perdeu. É uma tristeza enorme, jamais poderemos realizar esse sonho. E estava tão próximo. Meu irmão tem um quadro que eu dei pra ele com uma foto do Michael ontem esse quadro não saiu da cabeceira da cama dele! Só de ver a cena chorei. Meu irmão passou ontem a noite assistindo os DVDs dele. Nem quis ficar junto, pois sabia que ele estava muito triste com tudo isso. Eu tinha um quadro muuuuito grande do MJ com a Pantera da música ‘Black or White’ quando era pequeno no meu quarto, eu adorava aquele quadro, não sei que fim teve, mas hoje mais do que nunca gostaria de tê-lo de novo.” (Fábio de Azevedo Dias e Renan de Azevedo Dias, ganhadores da promoção ‘Michael Jackson in London’)

“Putz! De quem com mais de 30 anos que o Michael não foi ídolo? Foi meu ídolo sem dúvida. ‘Thriller’ foi com certeza o disco q eu mais ouvi na vida. Um brinde pro cara q ele merece.” (Curumin, músico)

“Engraçado que o que ainda é o álbum mais vendido de todos os tempos e eu até hoje não consegui ter uma cópia: quando criança, tinha em vinil. Meu irmão mais novo e eu brincávamos na sala e escutávamos algum disco que não lembro agora, e Thriller estava fora da capa, em cima do sofá, já que tinha acabado de tocar. Eu queria algo diferente, já estava saturado de tanto ouvir o disco, mas meu irmão queria ouvir de novo. Eu não aceitei trocar o disco e ele, autoritário, pegou uma escova de cabelo de madeira e bateu no disco dizendo que queria ouvir aquele, mas acabou quebrando o vinil. Se eu tivesse feito o contrário e repetido a dose, talvez tivesse o disco até hoje… Bem, também não a história pra contar. O CD chegou e claro que eu comprei minha cópia, mas alguém entrou em casa e roubou a bolachinha, deixando só a capa e o encarte pra contar a história. Michael (solo e com os irmãos) sempre fez parte de minha vida, e não tinha como ser diferente. Claro que no início dos anos 80 eu não tinha noção da importância do trabalho de gente como Quincy Jones ou Rod Temperton no som dele, mas ele sempre foi a peça principal em sua carreira. O melhor álbum dele na minha opinião é ‘Off The Wall’ (1979), mas ‘Thriller’ merece sem dúvida ser o mais vendido da história por ser o mais redondo, o mais pop, e ainda assim cheio de groove. Num bom equipamento dá pra ver (isso mesmo, ver) brilhar a música. Ah, também tenho uma foto aos 8 anos, de sunga, fazendo moonwalk quando tinha acabado de ganhar minha cópia do ‘Bad’. Estou numa pose hilária, mas quando vir a foto de novo certamente vou sentir algo tristemente estranho, como se uma parte importante da minha vida não estivesse mais nesse plano.” (DJ Benjamin Ferreira)

“Morre um gênio. A cabeça de Michael foi pirando no decorrer do sucesso porque ele nao teve uma base emocional na infância em que era obrigado a trabalhar e era agredido pelo pai. Lembro no dia em que estreou ‘Beat It’ nas rádios do Brasil. Eu estava com minha mãe buscando meu irmão na aula de basquete e aquele som começou a rolar… era Michael com a guitarra do mestre Eddie Van Halen. Surtei! Entrei correndo no clube gritando pro meu irmão: ‘Nando! vem correndo! o Eddie Van Halen tá solando em uma música do Michael Jackson!’. Mas depois desse disco não acompanhei mais nada do astro, apenas as notícias freak. De qualquer forma passei a ouvir e respeitar Jackson 5 depois, na adolescência. Hoje toco uma versão baile-funk de ‘Don´t stop ‘til get enough’ no meu set.” (Frédi Chernobyl, DJ e guitarrista da banda Comunidade Nin-Jitsu)

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