“Largamos escola, família, amigos, enfim, tudo, para sair do litoral do Paraná e levar a banda para outros lugares. O Hevo 84 começou com muito esforço”. É assim que o vocalista Renne Fernandes descreve o início do Hevo 84, que iniciou suas atividades há quatro anos, tempo em que angariou centenas de fãs alucinadas, especialmente na Internet.

Fazendo bom uso da Web para divulgar seu trabalho, o grupo conseguiu criar uma rede de admiradores – seu canal no MySpace, por exemplo,  ultrapassou com facilidade um milhão de pageviews. Claro que a sonoridade, de pegada pop, influências do emocore e sutis interferências eletrônicas, também ajudou a banda a ganhar bastante popularidade.

O primeiro álbum da banda, Dias de Fuga, foi lançado por Renne, o guitarrista Fernando Cunha, o baixista Rodrigo Suspiro e o baterista Victor Hugo de maneira independente. E a Internet foi essencial na divulgação, diz a banda. “No começo da carreira, a gente anunciava cada um dos shows e as nossas músicas em todas as comunidades do Orkut imagináveis. Era Control + C e Control + V direto”, afirma o cantor.

Tanto esforço deu resultado: em 2009, a banda assinou com a EMI e lança agora seu segundo álbum, homônimo. Segundo o vocalista, assinar com uma grande gravadora não modificou o som do início da carreira da banda, que continua essencialmente pop. “Nossas músicas continuam exatamente como que a gente sempre quis fazer: um pop temperado com diversas influências… Digamos que é um pop com veneno. As músicas trazem coisas dos anos 80, sintetizadores, guitarras fortes…”, conta.

E as influências do emocore, onde estão? “Não existe nada de emo no nosso som. Emo é uma tendência de muitos anos atrás, e o que a gente faz é uma coisa completamente diferente. Nesse nosso álbum, tem até rap! Essa mistura de sonoridades é um tapa na cara para quem não acreditava no nosso potencial”, alfineta o vocalista.

Para jovens e adultos

O segundo álbum do Hevo 84 traz um repertório de 13 músicas, sob a produção de Rick Bonadio e Rogério Vaz. As faixas, que transitam com certa tranquilidade do pop mais meloso a arranjos dominados pela guitarra, podem ser ideais para cair no gosto dos teens, mas o grupo tem planos de atingir um público mais amplo.

“A música é mesmo alinhada com o mercado, bem pop mesmo. E isso não é algo negativo. Fazemos um som complexo, com bastante conteúdo. As letras não são nada simplórias, por exemplo”, diz Renne. ” E nossa intenção não é fazer música só para os teens: queremos atingir um público que gosta de rock, independentemente de quem for”.

Pelo jeito, eles têm tudo para concretizar seus planos: após emplacar duas músicas, Tudo Outra Vez e Passos Escuros, na trilha sonora da novela Malhação, o grupo se prepara para estourar uma terceira, desta vez bastante inusitada: um cover de Rádio Pirata, do RPM. E a possibilidade de atingir a fama – mesmo que seja do estilo Beatlemania, a ponto de não conseguirem sair na rua, por exemplo – não os assusta. Pelo contrário. 

 “Teve um show em Brasília que fizemos em um local superpequeno e com pouca segurança. Tinha tantos, mas tantos fãs, que vidros acabaram quebrados e um monte de gente invadiu o palco para interagir com a gente. E quer saber? É isso mesmo que a gente quer: essa vibe divertida, dos fãs curtindo conosco a música que amamos”, completou Renne.

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