Realizada na noite desta segunda-feira (17) na casa noturna Studio SP, em São Paulo, a segunda edição do festival Popload Gig é uma mostra da nova realidade do cenário de shows no Brasil.

 

Primeiro, por trazer ao Brasil uma banda que está estourando no underground mundial – os ingleses do Friendly Fires, donos de um dos melhores discos de 2008 – prova de que o País entrou mesmo na principal rota das turnês internacionais. Segundo, por mostrar a tendência atual de venda de ingressos a preços abusivos, cobrando exorbitantes R$ 90 para um evento que junta três artistas desconhecidos do grande público: eles e os brasileiros Brollies and Apples e Copacabana Club.

Nesse caso, para sorte da organização, o interesse do público em assistir uma banda que coleciona elogios da crítica e tem tudo para estourar superou até a falta de noção (alô, povo, aqui é país de Terceiro Mundo!) na hora de decidir o preço da entrada, já que o Studio SP estava com uma capacidade muito boa de público. Por volta das 22h, após o show do Brollies and Apples, quando o Copacabana Club subiu ao palco, a casa já estava quase lotada.

 

E quem esteve por lá naquela hora viu um bom show da banda paranaense, considerada a nova sensação do rock indie. O grupo liderado pela bela vocalista Cacá V faz um pós-punk dançante nada original, mas até interessante. O Copacabana Club mostrou que até pode chegar às rádios e conquistar mais fãs, desde que faça letras em português e com temas mais interessantes do que o velho papo “sou muito louca e adoro sexo” cantado em inglês meio capenga.

 

Batucada britânica

 

Eram 23h30 quando o Friendly Fires iniciou o show, abrindo com a (ótima) música Love Sick. No palco, o vocalista Ed Macfarlane, o guitarrista Edd Gibson e o baterista Jack Savidge são acompanhados por um baixista/percussionista, um naipe de metais formado por saxofone e trompete e um sintetizador com samples pré-gravados. Ao vivo, o som da banda fica ainda mais intenso e acelerado que no CD, muito por causa de Savidge, que senta com gosto o braço em seu instrumento. Em algumas músicas, os outros integrantes dão uma força na batucada, tocando congas, maracas e até tamborim.

 

O repertório do show incluiu praticamente todas as músicas de seu álbum de 2008, com destaque para Jump in the Pool e Paris, cantadas em uníssono por boa parte do público, e Photobooth, que incluiu um sensacional trecho instrumental parecido com o frevo recinfese. Houve espaço também para uma faixa do próximo disco da banda inglesa: Kiss of Life, uma inteligente fusão de disco-punk e batidas de samba – antes de iniciar a música, Macfarlane brincou, dizendo: “Desculpem nossa falta de habilidade no samba”.

 

Curiosamente, mesmo para uma platéia indie, que naturalmente tem uma postura meio blasé, o Studio SP ficou quase igual a um baile de carnaval em vários momentos da apresentação do grupo britânico. Por causa do som percussivo da banda, das danças “tem gringo no samba” do vocalista e do calor que fazia na casa noturna em pleno inverno brasileiro, era possível imaginar que, se micaretas tocassem músicas boas, seriam parecidas com um show dos ingleses.

 

Com todo esse clima de festa e ótimas músicas, o Friendly Fires fez um dos melhores shows gringos no Brasil de 2009. Pena que tocou por menos de uma hora, o que fez com que a performance acabasse em certo clima de anticlímax. Afinal, se você paga R$ 90 para ver uma banda, espera assisti-la por um tempo um pouquinho maior…

Friendly Fires: apesar do preço e da duração, um dos melhores shows de 2009

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