O diretor do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, considera que nunca os Governos se viram tão obrigados, nem tão pressionados a atuar para enfrentar a mudança climática como depois da Cúpula de Copenhague, que marcou “um antes e um depois” na mobilização cidadã.

Naidoo fez a afirmação durante a visita à Espanha, na primeira etapa da viagem que realiza pelos países de procedência dos quatro ativistas do Greenpeace detidos durante a cúpula e que permaneciam presos na capital dinamarquesa – ele foram liberados hoje.

Para Naidoo, a mobilização da sociedade civil em Copenhague teve como protagonistas não só o Greenpeace, WWF e os Amigos da Terra, mas também os sindicatos, grupos religiosos, movimentos sociais, comunidades indígenas e pessoas que não são ativistas ambientais.

Conforme este sul-africano, ativista dos direitos humanos desde os 15 anos, afirma que pode “sentir um interesse entre o povo jovem pela causa que não viu nos últimos dez anos”. Por isso, ele prevê que “haverá consequências eleitorais para os líderes que não demonstrarem progressos” para enfrentar o aquecimento global.

“É inocente pensar que as nações não repetirão os erros do passado, mas se existe algum momento em que possamos esperar que os Governos façam o adequado é agora, pelo alto nível de conscientização global e pelo alerta mundial”, assinalou. “Embora existam lobbys sofisticados do setor do petróleo e dos combustíveis fósseis que investem milhões para ludibriar milhões de pessoas sobre a mudança climática, os argumentos morais e científicos estão vencendo”, completou.

Os compromissos deverão ser concretizados antes de 1º de fevereiro, como estabelece o documento de Copenhague, a primeira prova à qual serão submetidos os países após a cúpula.

Antes da próxima Cúpula do Clima do México, em dezembro de 2010, os países enfrentarão uma segunda prova, durante uma reunião preparatória da Conferência das Partes, que ocorrerá em junho em Bonn, Alemanha.

Kumi Naidoo reconhece que a UE perdeu liderança no processo negociador, após os Estados Unidos chegarem a um acordo com um reduzido grupo de países em Copenhague, mas considera que deveria recuperá-la “porque seria bom para o mundo”.

Justiça da Dinamarca solta ativistas do Greenpeace detidos na COP-15

A Justiça dinamarquesa ordenou nesta quarta-feira a libertação quatro ativistas do Greenpeace detidos no último dia 17 em Copenhague durante a Cúpula da ONU sobre a Mudança Climática (COP-15).

O quarteto foi recebido com aplausos ao deixar a prisão em Copenhague por cerca de 30 membros e simpatizantes da organização, que desde a cúpula mantém seu famoso barco Rainbow Warrior em um píer da capital dinamarquesa.

Os ativistas não quiseram dar declarações ao saírem da prisão e mencionaram apenas que concederão uma entrevista coletiva nesta quinta.

O próprio Greenpeace comunicou que os quatro ativistas foram postos em liberdade com acusações contra si, mas não precisarão se apresentar à Justiça dinamarquesa amanhã e deverão esperar a definição da data de seu processo.

O quarteto é acusado de invadir o jantar de gala que a rainha da Dinamarca ofereceu aos chefes de Estado e de Governo durante a COP-15. A Polícia dinamarquesa os acusou de invasão de domicílio e falsificação de documentos, entre outros crimes.

Foram libertados hoje Juan López de Uralde, presidente do Greenpeace na Espanha, a sueca Nora Christiansen, o suíço Christian Schmutz e o holandês Joris Thijssen.

A coordenadora de campanhas do Greenpeace, María José Caballero, disse que a prisão dos quatro ativistas foi uma medida desnecessária e exagerada.

Caballero criticou o fato de os ativistas terem ficado incomunicáveis durante 21 dias e que as Embaixadas dos respectivos países tenham tido que manter “duras negociações” para que as famílias pudessem visitar os quatro detidos.

Greenpeace diz que "nunca os Governos foram tão pressionados para atuar"

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