A decisão do governo de cobrar uma alíquota de 2% de Imposto sobre Operação Financeira (IOF) do capital estrangeiro ainda causa muita polêmica. A terça-feira (20) foi o primeiro dia que a medida entrou em vigor e fez com que a Bovespa registrasse forte queda, além de uma elevação da cotação do dólar.

A nova taxa teve o apoio de alguns setores, como a indústria. No entanto, outros especialistas mostram preocupação com a forma do governo agir. Para o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, essa medida deve trazer poucos benéficos.

“Acho que a preocupação do governo com câmbio é legítima. Só que do ponto de vista da bolsa, me parece que serão poucos benefícios e altíssimos custos. Espero que em algum momento essa política seja revista”, disse Fraga em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Quem também não aprovou a forma que o a equipe econômica agiu foi o presidente da BM&Bovespa, Edemir Pinto. O executivo foi mais forte em suas críticas ao governo e disse que a medida é um tiro no pé.

“Isso é o chamado fogo amigo. No ano passado tivemos a questão da CPMF, mas foi um assunto amplamente discutido. Essa medida foi feita de surpresa e em um momento que estamos festejando não só a retomada do mercado, mas principalmente aquilo que o investidor não residente enxerga no país. É mais um motivo para exportar nosso mercado para Nova York”, disse Pinto.

Preocupada com a situação, a BM&FBovepsa vai apresentar ao governo uma alternativa de taxação. A intenção é que o IOF passe a ser cobrado na saída do capital e não na entrada. O valor da taxa iria variar de acordo com o prazo, com alíquotas para diferentes períodos.

A decisão do governo foi tomada na última segunda-feira (19) por conta da preocupação da crescente valorização do real. Com o dólar valendo cada vez menos no mercado interno, a indústria nacional e o setor exportador perdem competitividade no mercado internacional.

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