Em uma decisão histórica, o presidente americano Barack Obama deu dois importantes passos para tirar da geladeira as relações EUA-Cuba, situação que vigora desde que Fidel Castro subiu ao poder em 1959.

O presidente americano suspendeu restrições a cubanos-americanos que querem viajar para a ilha e/ou mandar dinheiro para familiares no país.

A suspensão completa do bloqueio econômico ainda não deve acontecer. O governo americano quer condicionar isso à realização de eleições livres e democráticas na ilha do Caribe.

O Virgula foi atrás de jovens cubanos para saber o que eles pensam dessa fase, o que esperam do futuro, como vêem Obama e o que fazem para se divertir. Encontramos todo tipo de opinião.

OBAMA NA PRESIDÊNCIA

“Os cubanos pensam que Obama levantará o bloqueio, supostamente o culpado pela situação do país, mas é apenas uma leve esperança. Se Obama fizer isso será muito bom, pois supostamente Cuba terá negócios de todos os tipos com outros países. Assim também nem Fidel nem Raul poderão dizer mais que os problemas do país são culpa dos EUA” 
Dorman Santiago, 29 anos, ex-maître de hotel recém-emigrado a São Paulo

“A eleição de Obama foi muito importante para nós. É algo com que podemos contar se tudo correr bem. Sua eleição trouxe esperança e expectativas para nós.”
Celia Torres, 22, estudante de filosofia na universidade de Havana

“Não dá para dizer se ele vai suspender totalmente o embargo ou não. Apesar disso, tentamos enxergar as coisas com otimismo, acreditamos que ele deve trazer coisas positivas.”
Alberto, 24, taxista em Havana

“Não vemos na figura de Obama ‘o libertador’. Não por má vontade, acreditamos que ele seja um bom homem, mas todo mundo sabe que os EUA são governados por ‘corporações’, como mostra o filme de Michael Moore, The Corporation
Laura, Claudia e Pedro, 16-17 anos, estudantes em Havana

PRESENTE E FUTURO EM CUBA

“Se o embargo acabasse hoje, saíriamos de uma forte recessão, se não um dos maiores embargos que um país já sofreu e poderíamos comprar e exportar produtos, muito mais barato. Teríamos o acesso mais rápido a internet.”
Laura, Claudia e Pedro

“O jovem cubano enxerga o futuro com um certo pessimismo, pois passou muitos anos de ditadura e muitas promessas. Neste novo governo, as coisas tem permanecido as mesmsas, apenas palavras e poucos avanços.”
Dorman

“A política em Cuba é uma coisa que a maioria dos jovens está tentando evitar. Raramente temos contato direto com a verdade sobre o que realmente está acontecendo em nosso país. A juventude está interessada no futuro agora. Estamos otimistas, porque um dia Cuba estará em nossas mãos. Estudamos e trabalhamos para lidar com o país, mudar coisas que os mais velhos, com todo respeito, não enxergam, porque ainda vivem em 1959. Sabemos das coisas boas que o governo cubano nos deu, seguimos Fidel Casto e acreditamos, acima de todas as coisas, em mudanças para melhor, sempre seguimos nossos princípios e respeitamos a ética, ideologia e leis cubanas.
Celia

INTERNET

“A internet é ilegal. Quem tem acesso é porque tem no trabalho e em muitos casos é restrita. Em geral, ter em casa é ilegal.”
Dorman

Qualquer um pode ter acesso a internet. Em nosso ensino, aprendemos a lidar com informática desde o primário. Mas, pelo embargo, o acesso a internet tem que ser limitado. Todos temos e-mails e podemos acessar em casas de telefonias ECTSA a qualquer momento, porém é um pouco caro, pelo serviço não ter ainda, alta demanda. Nas Universidades, todos os alunos tem acesso a internet e ao Google.
Laura, Claudia e Pedro

“O acesso a internet é escasso, nem conheço esses nomes que você menciona [quando perguntado de MSN ou Orkut]. Apenas para acesar e escrever uma mensagem pagamos 1,50 cuc [moeda forte usada por estrangeiros e a qual poucos cubanos tem acesso] a hora. O cuc é mais caro que o dólar.”
Alberto

E A DIVERSÃO?

“A diversão em Cuba é muito cara, pois para mim não era muito difícil, pois trabalhava no turismo e o tinha acesso mais fácil a essas coisas, saia para dançar, praias, acampamentos, restuarantes e outros, mas era muito infeliz, não podia viajar a outros países, não podia ter internet, não podia me hospedar em hotéis.”
Dorman

“Para se divertir basicamente vamos às discotecas. O cubano, na maioria, gosta muito de beber.”
Alberto

“Gostamos de jogar pelota (baseball), dançar, sair para bares, shows, teatro, cinema, boate, praia ou ficar jogando conversa fora na praça.”
Laura, Claudia e Pedro

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