Fernanda Takai – Luz Negra

Depois de tanta repercussão positiva em cima da homenagem de Fernanda Takai a Nara Leão em sua estreia como artista-solo no disco Onde Brilhem os Olhos Seus (2008), nem é preciso elogiar a habilidade que a vocalista do Pato Fu tem de emocionar suas plateias.

No CD e DVD Luz Negra, gravado ao vivo em Minas Gerais, o talento de Fernanda transborda pelo palco e vai muito além do universo de Nara, abordando diversas outras influências da cantora amapaense: covers de Eurythmics (There Must Be An Angel), Duran Duran (Ordinary World), Roberto Carlos (Você já Me Esqueceu, composta por Fred Jorge) e até Michael Jackson, com o hit Ben, entraram no repertório.

Luz Negra ainda traz Odeon, Diz Que Fui Por Aí, Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos e a ótima 5 Discos, feita por Fernanda com seu marido/guitarrista/diretor musical/arranjador/produtor/parceiro de Pato Fu, John Ulhoa. O disco é incrível por mostrar toda a versatilidade da cantora, que se cercou de músicos competentes e soube traduzir suas influências no universo de sua homenageada. (Luiz Filipe Tavares)

Moby – Wait for Me

É curioso que Moby, conhecido por seu tino comercial e
muitas vezes criticado por supostamente disseminar o techno de
maneira trivial e superficial, lance um CD introspectivo e depressivo
como Wait for Me.

Na verdade, o que mais surpreende nesse lançamento não
é exatamente a
introspecção, considerando que o som eletrônico e melancólico foi o que levou Play, de 1999, a alcançar sucesso. A questão é que o produtor afirmou ter feito, talvez pela primeira vez, um CD sem preocupações com o mercado: a inspiração, segundo ele, seria David Lynch. O resultado ficou um álbum
intenso e que parece perfeitamente adequado à trilha sonora de uma obra do cineasta americano, como a série Twin Peaks.

Em meio a diversas músicas
instrumentais, faixas como Pale Horses, Study War, Mistake (única faixa a contar com seus vocais) e Scream Pilots mostram que Moby acertou ao elaborar um disco simples – até
a arte do álbum é minimalista, com desenhos feitos à mão por ele – e introspectivo. A mixagem de Ken Thomas, que já trabalhou com Sigur Ros, também ajudou a deixar o CD coeso e interessante, adicionando sons de pedais antigos e equipamentos analógicos. (Stefanie Gaspar)

Sugar Ray – Music for Cougars

Lá pela metade dos anos 90, quando o ska americano virou moda e impulsionou a popularidade de bandas como No Doubt, Sublime e Smash Mouth, o Sugar Ray era importante: com seu som ideal para curtir na praia, misturando ska, rock, reggae, hip hop e pop, o grupo emplacou hits como Fly e Early Morning nas rádios. Mais de uma década depois, eles lançam um novo CD, intitulado Music for Cougars.

O disco abre até bem, com a quase-reggae Girls Were Made to Love (com participação de Collir Buddz) – que, a bem da verdade, é beeeem inspirada em Fly – e Boardwalk. Em seguida, vem a melhor de todas: She’s Got the (Woo-Hoo), que usa influências claras da disco music para fazer um som ideal para bombar uma pista de dança.

Após esse começo animador, porém, o que se ouve é uma coleção de músicas melosas, ideais para embalar histórias de amor em um filme adolescente. Love is the Answer, Rainbow e Going Nowhere, entre outras, se encaixam bem nesse perfil. Outras faixas, como When We Were Young e Dance Like No One’s Watching, com voz de Donavon Frankenreiter, tentar ser animadas, mas o resultado é igualmente inócuo.

Em seu novo disco, o Sugar Ray deixa claro que é preciso inspiração até para fazer pop bonitinho. Seria ótimo se a banda tivesse criado algo como When It’s Over, uma das composições mais bonitas do rock americano na década passada – opinião totalmente pessoal e passível de discussão -,  mas Music for Cougars está bem longe disso. (Denis Moreira)

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