Um livro sobre o islamismo na Indonésia revela a obsessão pela pornografia ocidental por parte de um dos mentores dos atentados de Bali, realizados em 2002 e que mataram 202 pessoas. A ideia é expor a hipocrisia do radical e desmoralizá-lo, desencorajando novas adesões ao terrorismo.

O estudo realizado pelo professor e especialista em segurança nacional de Cingapura Kumar Ramakrishna, a partir de uma investigação policial, derruba o suposto conservadorismo de Imam Samudra, executado em novembro, depois de ser condenado como autor “intelectual” do atentado.

“O HD do laptop de Samudra tinha material pornográfico e especialmente de mulheres ocidentais nuas”, afirma Ramakrishna em seu livro Caminhos Radicais: Entendendo a Radicalização Muçulmana na Indonésia.

O autor argumenta que este fato pode servir de arma para derrubar os argumentos do islamita, um brilhante universitário caracterizado por sua arrogância e sua falta de arrependimento ao longo de todo o processo judicial.

LUGAR DO PECADO

Ramakrishna considera que essas fotografias mostram a “hipocrisia” de Samudra, que tachava a turística Bali de “lugar do pecado” ocidental, mas depois consumia a pornografia proveniente dos mesmos países que criticava com acidez.

“O livro passa uma poderosa mensagem dizendo que Samudra e outros líderes (do grupo terrorista) da Jemaah Islamiya estão preocupados principalmente com o poder e a vingança. A essência ética do Corão foi passada para segundo plano”, afirma.

Em sua opinião, isto reduziria enormemente a atração ao islamismo na Indonésia em certos setores, minando os radicais e convencendo a massa de descontentes a mudarem de idéia sobre o extremismo no maior país muçulmano do mundo.

Seis meses depois da execução do terrorista, seus escritos e testamento são considerados leitura obrigatória entre os radicais e circulam em fóruns islâmicos na Internet.

TUDO GRAVADO

Em seu livro, o professor Ramakrishna assegura que as fotografias pornográficas não foram colocadas posteriormente no computador de Samudra, já que a Polícia gravou um vídeo durante o processo de apreensão do equipamento e sua clonagem para o estudo.

O livro, editado pela Praeger, é uma investigação de 292 páginas sobre o processo de radicalização de sete líderes da Jemaah Islamiy, vivos e mortos, assim como uma lista de recomendações para frear o apoio ao extremismo no país.

Vários analistas fizeram críticas positivas ao livro, especialmente na descrição dos perfis dos terroristas envolvidos nos atentados de Bali, assim como suas recomendações finais.

Ilan Mizrahi, ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional de Israel, avaliou suas propostas “para combater o desafio da radicalização violenta na Indonésia” e assinalou que são dignas de “um estudo profundo”.

Ramakrishna assegurou que é importante que toda a sociedade indonésia tome conhecimento do assunto tratado no livro. O país tem mais de 200 milhões de muçulmanos, em sua maioria moderados e tolerantes.

Livro expõe obsessão pornô de terrorista islâmico

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