O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (31/03) que os países árabes e sul-americanos devem levar uma mensagem “forte e clara” à cúpula do G20 que valorize a defesa do papel do Estado frente à crise global. A reunião do Grupo dos Vinte, que reúne os países ricos e os principais emergentes, acontece na quinta-feira (02/03) em Londres.

Em discurso na 2ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América do Sul e dos Países Árabes (Aspa), que reúne em Doha representantes dos países sul-americanos e árabes, Lula defendeu a regulação e a transparência do mercado financeiro como pilares de um novo sistema econômico.

Nessa linha, Lula disse que é necessário concluir o mais rápido possível a Rodada Doha, que deve regular o comércio internacional e exigir uma profunda reforma dos órgãos internacionais.

O presidente também falou sobre a palestina e disse que “não é possível que, após tantos anos de negociações, não haja ainda um Estado palestino”. “É importante que o novo governo em Israel se comprometa com o processo de paz”, completou.

“Depois do 11 de Setembro, alguns disseram que a democracia e os árabes eram incompatíveis. Ignoraram a contribuição árabe na história para a democracia. A Aspa nos ajudará a fazer renascer essa aliança de civilizações”, disse.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, que discursou antes de Lula, como presidente da União de Nações Sul-americanas (Unasul), também se referiu à necessidade que, de Doha, saia uma “mensagem muito potente” para o G20.

“É a hora para uma resposta internacional coordenada da crise econômica e financeira. Da reunião do G20, esperamos uma rápida coordenação das políticas fiscais indispensáveis para conter o colapso da demanda mundial”, acrescentou.

Para Bachelet, “o diálogo entre América do Sul e os países árabes pode e deve ter um papel muito importante, já que nos dirigimos à geração de um novo contrato social global”.

Sobre o tema palestino, a presidente chilena também ressaltou que a “América do Sul apoiou historicamente a Palestina e seu direito de estabelecer um Estado livre e soberano que possa conviver com Israel”.

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