É um daqueles inventos que deve mudar o mercado literário, assim como o MP3 mudou o meio musical. Londres acaba de ver inaugurada, na livraria Blackwell, a primeira Espresso Book Machine do Reino Unido. Em cinco minutos, a máquina imprime e encaderna o livro que você quiser de uma lista de 500 mil títulos.

A máquina anuncia o fim da era onde você entrava numa livraria atrás de um título, mas não podia levar porque estava esgotado. Para as editoras, o invento pode representar também o fim do livro encalhado, afinal só serão impressas cópias sob demanda. Para as livrarias, será um poderoso aliado na batalha contra lojas virtuais como a Amazon.

Por enquanto, o acervo da máquina é composto majoritariamente de livros cujos direitos autorais se encontram sob domínio público, como Alice No País das Maravilhas, As Aventuras de Tom Sawyer e Moby Dick. Mas a livraria já está em contato com editoras de todo o Reino Unido para incluir títulos mais novos, protegidos por direitos autorais, no catálogo da máquina. A resposta tem sido muito positiva, disse a Blackwell, que quer em breve dobrar o número de títulos digitais para um milhão.

A Espresso Book Machine foi inventada pelo editor americano Jason Epstein. Algumas já estão em operação no Canadá, Austrália e EUA, principalmente em bibliotecas públicas. A livraria Blackwell pagou US$ 175 mil pela sua, dinheiro que espera recuperar em um ano.

“A máquina pode mudar a venda de livros radicalmente”, disse Andrew Hutchings, diretor-executivo da Blackwell, “Será a revitalização das pequenas lojas. Se você puder entrar numa livaria local e ter acesso a um milhão de títulos, isso é muito estimulante.”

Além disso, abre oportunidades inéditas para escritores independentes, sem editora. Uma das poucas livrarias americanas que já tem a máquina, a Northshire, de Vermont, já oferece serviços de publicação de pequenas tiragens para novos autores.

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