O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) decidiu adiar o pronunciamento desta quinta-feira (20) no qual iria oficializar a sua saída da liderança do partido. Segundo a assessoria de imprensa do senador, ele fará seu pronunciamento amanhã (21), às 10h, no plenário do Senado.

Interlocutores do senador afirmaram que a decisão do petista de deixar o cargo é irrevogável, mesmo diante dos prováveis apelos que o presidente Lula deverá fazer para que ele permaneça na liderança.

Em seu Twitter, o senador já informou o caráter irrevogável da sua saída da liderança. “Ao contrário dos que estão deixando o partido, saio da liderança para disputar, junto à militância, a concepção do PT que eu acredito”, postou Mercadante.

“Eu subo, hoje, à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável”, declarou Mercadante antes de receber telefonema do ministro das Relações Institucionais, José Múcio, de que Lula gostaria de ter uma conversa com ele antes do seu pronunciamento na tribuna do Senado, previsto para a tarde de hoje.

AFASTAMENTO

Mercadante tomou a decisão, segundo os interlocutores, após ser desautorizado pelo partido na votação do Conselho de Ética, em que foram rejeitados os recursos contra o arquivamento das 11 denúncias e representações apresentadas contra o presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP).

A postura defendida por Mercadante, com respaldo da maioria da bancada, era de que Sarney se afastasse da presidência do Senado e que o conselho abrisse, pelo menos, uma investigação contra o peemedebista.

No entanto, a direção do partido emitiu nota, momentos antes da votação do colegiado, recomendando que os petistas João Pedro (AM), Ideli Salvatti (SC) e Delcídio Amaral (MS) votassem pela manutenção do arquivamentos das ações contra Sarney.

“FUNÇÃO PÚBLICA”

Apesar da renúncia anunciada, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, recomendou que Mercadante não deixe o cargo. “Houve outra decisão e Mercadante se sentiria desconfortável de continuar na liderança. Mas não é o caso. Esse fato isolado [o arquivamento das representações contra Sarney] não é razão para ninguém deixar uma missão. Todos nós que ocupamos função pública temos contrariedade”, afirmou Berzoini.

“Houve uma momentânea incompreensão entre bancada e partido. Esse é um momento natural da política. Momentos de grande tensão sempre levam a um aquecimento do ambiente”, completou.

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