O Brasil pretende fazer grande pressão para que os projetos das nações emergentes para redução de gases de efeito estufa sejam também beneficiados com recursos públicos das nações ricas. A afirmação foi feita hoje (8) pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, após encontro com os ministros Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, e Sergio Rezende, da Ciência e Tecnologia. No encontro, os ministros discutiram as estratégias brasileiras que serão levadas à 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague.

Segundo Minc, os negociadores brasileiros que já estão em na capital dinamarquesa têm tido dificuldade para acertar os pontos de um acordo que trata da questão da criação do Fundo Global, uma espécie de financiamento dos países ricos às ações para tornar ambientalmente sustentável o crescimento econômico nas próximas décadas.

Minc disse que o Brasil pretende cumprir sua meta de redução de emissões de gás carbônico (CO2), no entanto, ressaltou que para isso serão necessários recursos internos e também externos. “Vamos discutir com eles [os países ricos]. Vamos dizer que os recursos que eles estão colocando na mesa são insuficientes, tanto para a redução das emissões quanto para evitar a desertificação e inundações. Não aceitamos isso. Com esses recursos, o problema das mudanças climáticas não fecha.”

Sobre a possibilidade de o Brasil recuar em relação à sua meta de redução da emissão de gás carbônico, caso fique de fora do Fundo Global, Minc lembrou que as medidas para diminuir o desmatamento da Amazônia e reduzir a emissões de gases serão transformados em lei.

“Nossa estratégia é dizer o seguinte: vamos cumprir as metas, mas temos que ter recursos suficientes para isso. Vamos batalhar por eles [recursos]. Vamos estar lá [na Dinamarca] com estande do Fundo Amazônia, vamos abrir o Fundo Cerrado. Mas para atingirmos isso, acredito até que possamos chegar a 90% de queda do desmatamento da Amazônia, necessitamos realmente desses recursos”.

O ministro criticou a postura dos países europeus, que sinalizaram hoje que podem adotar um percentual mais baixo de emissões de gases de efeito estufa. “Os europeus, que falavam em 20% a 30%, estão começando a falar em mais de 20% de corte para permitir que os Estados Unidos entrem com uma menor diferença entre eles. Ou seja, em vez de puxar os Estados Unidos para cima, os europeus querem ir mais para baixo. Seria, para o clima, catastrófico”, ressaltou Minc.

Ele informou ainda que, além dele e da ministra Dilma Rousseff, que chefiará a delegação brasileira na COP-15, devem integrar a comitiva os ministros Sérgio Resende e Celso Amorim, das Relações Exteriores. De acordo com Minc, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá estar na Dinamarca nos dias 17 e 18, nos dois últimos dias do evento.

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