Uma homenagem no mínimo polêmica aconteceu nesta quinta-feira numa igreja no Sumaré, em São Paulo. Um pouco menos de 100 pessoas se reuniram para prestar tributo aos 30 anos da morte do delegado Sergio Paranhos Fleury.

Nos tempos da ditadura militar, quando jornais e músicas eram censurados, e tortura e prisão contra quem discordasse do governo corria solto, Fleury era um dos nomes de destaque do chamado “lado negro da força”. Querido dos militares, ele aliava eficiência e determinação no cumprimento das missões com um gosto anormal pela crueldade e pela violência extrema.

A homenagem aos 30 anos de sua morte foi organizada pelo delegado Carlos Alberto Augusto, do 12º DP, vulgo “Carteira Preta”. Ele chamou as pessoas, mandou fazer um folheto, bancou a missa e a decoração. O papo, segundo reportagem da revista Época, era sobre como o Brasil “era melhor” no tempo da ditadura, não a “baderna” de hoje.

Fleury se notabilizou pela perversidade nos métodos de tortura e matança. Quando ele e sua equipe capturaram e mataram o guerrilheiro Carlos Lamarca, no sertão baiano, arrancaram-lhe todos os dentes para fazer um colar. Depois tiraram fotos com o colar no pescoço.

Comandando um aparato que incluía choques elétricos, pau-de-arara e espancamento, em porões de delegacias ou sítios afastados, Fleury e seus homens torturaram padres, bandidos comuns, advogados, jornalistas e até agentes da Polícia Federal (a biografia Autópsia do Medo Vida e Morte do Delegado Sérgio Paranhos Fleury, do jornalista Percival de Souza conta que 40 agentes da PF pediram de uma só vez um habeas corpus preventivo quando Fleury começou uma investigação sobre contrabando).

Esse sinistro personagem morreu misteriosamente. Bêbado, caiu da lancha onde estava, perto de Ilhabela. Chegou a ser resgatado com vida, mas acabou n. Como ele caiu? Do que exatamente morreu? Ninguém até hoje descobriu, já que não foram autorizadas autópsias e a investigação do caso foi rapidamente encerrada.


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Missa por torturador famoso reúne saudosos da ditadura