Eles já passaram dos 60 anos. Mas isso não significa que estão alheios ao seu tempo. Muito pelo contrário. São “moderninhos”, adoram gadgets, internet… E o Twitter.


 


A coqueluche do ano na internet já tem entre seus usuários o pessoal da 3ª idade. Alguns, até com mais de 100 anos. Nos Estados Unidos, uma pesquisa feita em julho mostrou que 3% dos centenários americanos usam o microblog, pelo menos uma vez por semana. Parece pouco, mas na verdade é muito para um país que tem 84 mil pessoas dessa faixa etária.


 


O melhor exemplo vem do outro lado do oceano, com a inglesa Ivy Bean, de, atenção, 102 anos. A simpática velhinha adora o Twitter e posta o que está comendo, sua programação diária (que conta com várias entrevistas) e até os seus momentos pré-cochilos. Não tem como não gostar!


 


No Brasil, ainda não temos o caso de um twitteiro centenário – sexagenário, por outro lado, há vários. “Gostei de cara e virei amante da novidade, por representar uma das mais eficazes ferramentas para exercitar a concisão de linguagem.  E isso é importantíssimo hoje, quando predomina a prolixidade em bocas de todas as classes sociais, de todos os diplomas, de todos os recantos, com ou sem dentes”, fala bonito o professor de português aposentado Carlos Emílio Faraco, de 62 anos.


 


Usuário do serviço há 6 meses, ele gosta de publicar o que anda lendo e ouvindo. Também arrisca escrever alguns minicontos. “E tenho um hábito condenado pelos ‘donos’ do Twitter: mando e recebo recados pessoais fora das DM (mensagens diretas).  E, obviamente, ignoro a pergunta ‘o que você está fazendo agora?’, tal qual cem por cento dos demais twitters fazem”, ri.


 


Já a aposentada Virginia Santos, de 68, gosta de escrever mensagens positivas para os seus seguidores, assim que acorda bem cedinho. “É uma forma de começar o dia bem, de já estar bem com Deus logo cedo”, explica ela, que entrou no Twitter após dicas de sua filha, a a @djmisscloud.


 


Ela explica que tenta convencer as suas amigas a adotarem a ferramenta. Mas sem sucesso. “Eu digo que é bom para se comunicar. Falo sempre para a minha comadre que no Twitter a informação bate na hora”, brinca. Perguntada se um telefonema às vezes não é mais rápido, Virginia responde com bom humor. “Ah, também. Mas eu quero ser mais moderna!”


 


VOVÓ COMÉDIA


 


Quem segue a carreira de comediante de stand-up Rogerio Morgado, sabe que ele adora citar as aventuras de sua avó Irene, de 73 anos. Ela, inclusive, já chegou a se aventurar na comédia em pé (veja o vídeo).


 


As histórias da Dona Irene fazem tanto sucesso que o neto criou um perfil para ela, onde conta as pérolas que escuta da nona. “Ela solta várias, então eu ponho. São histórias de coisas que ela passou, daí eu escrevo”, diz Morgado. “Mas não fica tão engraçado, já que ela faz até imitações”, ri.


 


Dona Irene prefere não se aventurar no computador, mas gosta de saber que suas histórias estão circulando por aí, graças à rede. “Minha cabeça não dá muito para essas coisas modernas”, brinca.


 


Mas você devia parar de pensar assim, viu Dona Irene! O professor Carlos Faraco que o diga: “Com a tecnologia eu me sinto mais bem aparelhado pra viver. Se eu não odiasse chavões, diria que ela ‘amplia horizontes’. Especialmente para quem está com as retinas meio cansadas de ver ao vivo”, sorri.



 

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