O Oasis não é novato em terras brasileiras. O grupo já se apresentou por aqui em 1998, em 2001 (na terceira edição do Rock in Rio) e em 2006, quando veio para um único show. Mesmo assim, a energia dos fãs para acompanhar a jornada musical promovida pelos irmãos Liam e Noel Gallagher não diminuiu. Mesmo com os preços salgados dos ingressos – de R$90 a R$400 –, gente de todo o País organizou caravanas para acompanhar os shows da banda inglesa. Vale lembrar que o grupo toca sábado (9) em São Paulo, na Arena Skol Anhembi. 
 
Um desses aficionados é o catarinense Carlos Donner Filho, que está armando uma caravana de Blumenau e Camboriú para o show de Curitiba. Ele relata que muitas pessoas estão utilizando o Orkut para articular as viagens. “Já fechamos um pacote, que conta com 26 pessoas indo de ônibus para os shows de Curitiba. Grande parte do pessoal está organizando as coisas meio de última hora, de maneira informal, mas até agora deu certo”, afirmou.


 


Nas comunidades Oasis Brasil e Oasis Brazil, existem anúncios de caravanas que saem de Belo Horizonte, Campinas, Ribeirão Preto, Salvador e Juiz de Fora para os shows de São Paulo e Rio de Janeiro. Elas contam, em média, com 30 pessoas cada. “O esquema sempre começa com pessoas trocando idéias sem compromisso pela internet. Por enquanto, nos reunimos com dez amigos e estamos preparando a viagem, bem de última hora. Mas bem mais gente vai se encontrar conosco já em São Paulo”, afirmou Rafael Gomes, que sai de Fortaleza para ver o show de São Paulo.


Sacrifícios


 


Para embarcar na aventura de viajar de longe para ver o Oasis, além dos preços salgados dos ingressos e das dificuldades naturais de organizar uma excursão desse tipo, os fãs tiveram que enfrentar outra dificuldade: a falta de informações precisas a respeito da compra das entradas.


 


“Como moro em Fortaleza, foi bem difícil conseguir as informações sobre a venda de ingressos pela internet. Não sabia se eles iriam chegar em casa, se eu teria que retirá-los na hora… foi uma bagunça”, afirmou Gomes. O uruguaio Andres, que viu o Oasis no domingo passado (3) na Argentina e vem ao Brasil para fazer a mesma coisa, também enfrentou problemas com a Ticketmaster. “Como não consegui entrar em contato com a empresa responsável e eles não me responderam se faziam no exterior, fui obrigado a pedir por MSN para um conhecido no Brasil comprar para mim os ingressos para as apresentações de Curitiba e Porto Alegre”, disse.


 


De acordo com eles, porém, esses e outros sacrifícios para ver os ingleses mais que compensa. “Consegui dispensa no trabalho para vir a São Paulo para os shows, mas se não tivesse conseguido viria da mesma maneira. Minha namorada também ficou furiosa por eu viajar sozinho só pelo Oasis”, contou Gomes. Na opinião de Andres, um show deles é uma experiência única. “Já vi o Oasis na Argentina em 2001 e no domingo passado (3). Agora vou para Curitiba e Porto Alegre. E não vou parar nunca”, garante ele.


 


Animação pura



De tão animados com a possibilidade de ver Noel e Liam em ação, esses fãs não estão preocupados nem com a possibilidade de um clima ruim no palco entre os dois irmãos, que voltaram a se estranhar nesta semana. Para quem não sabe, Noel afirmou que a banda é uma “nau sem rumo” e devia se preparar para o início de uma série de problemas. Liam não perdeu tempo e, no mesmo dia, retrucou as declarações do irmão por meio de seu Twitter, dizendo que a banda está passando por um momento fantástico.


 


“Não dá para levar a sério essas declarações. Os dois vivem brigando, mas é bem óbvio que isso rola só pela polêmica e a banda está bem longe de se separar por causa disso”, disse Gomes. Ele não tem dúvidas de que a passagem da banda inglesa pelo Brasil será fantástica. “Vai ser tudo que se pode esperar de um show do Oasis. Eles não decepcionam”, garante.


 


Cláudio Perazzo, que viajou de Salvador para ver o show do Rio de Janeiro, concorda que as brigas entre o grupo são só fogo de palha. “É tudo falação. Pode ter certeza que, para os fãs, basta que a banda suba no palco e mande bem. E isso eles sabem fazer”, explica. 

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