O número de casos confirmados de Influenza A (H1N1) – gripe suína no Pará chegou a 49, de acordo com a coordenação estadual de Vigilância em Saúde. O estado lidera a lista de ocorrências da doença na Região Norte. O segundo colocado nessa relação, o Amazonas, confirmou a ocorrência de seis casos.

A disparidade entre os números chama a atenção. Isso porque, além de estarem localizados na mesma região geográfica, Pará e Amazonas têm muitas semelhanças em relação às condições climáticas e aos hábitos da população, além de fluxo intenso de trânsito de pessoas entre seus territórios. Os dois estados são, em termos de desenvolvimento e de contingente populacional, os maiores da Amazônia.

Na avaliação do diretor de imprensa e assuntos sociais do Sindicato dos Médicos do Pará, Luiz Sena, a disparidade entre a ocorrência de gripe A nesses estados pode estar relacionada à insuficiência de orientação, em particular nos aeroportos do Pará. Para ele, ao reforçar as informações sobre o problema na sociedade, evita-se que infectados deixem de procurar ajuda médica necessária e precocemente.

“Só na região metropolitana de Belém vivem mais de 3 milhões de pessoas. Não é possível que apenas um hospital, que atende a todo tipo de caso de gripe, tenha condições de garantir a qualidade desejada ao atendimento”, afirmou.

De acordo com a coordenadora de Vigilância em Saúde do Pará, Ana Helfer, todos os casos confirmados no estado relacionam-se a pacientes que estiveram nos Estados Unidos, na Argentina, no Chile e em outras regiões brasileiras, sobretudo em Santa Catarina e São Paulo. Atualmente a Vigilância em Saúde do Pará acompanha 95 casos.

“A grande maioria desses casos teve manifestação de leve a moderada, que evoluiu muito bem na recuperação. Não temos nenhuma ocorrência de caso grave”, informou Ana Helfer.

Para o infectologista e membro do Comitê Estadual de Prevenção e Controle da Influenza A no Amazonas, Marcelo Cordeiro, a diferença entre o número de casos entre os dois estados está relacionada ao acesso a esses territórios. Ele disse que, apesar do índice elevado de casos confirmados, a região, de modo geral, não deve perder o foco principal de atenção que não é mais ter casos de gripe A e sim ter doentes graves.

“O acesso ao Amazonas está praticamente limitado a vias aéreas ou fluviais. No Pará, entram também as rodovias, que permitem uma circulação bem maior de pessoas, incluindo caminhoneiros que cruzam todo o país para a distribuição de cargas. Possivelmente esse é o fator que causa a diferença”, acrescentou.

Para o diretor da Fundação em Vigilância em Saúde no Amazonas, Evandro Melo, as condições geográficas neste momento também ajudam o Amazonas a ter menor incidência de gripe A. Ele observou que o estado garante a ampliação do atendimento ao priorizar a hierarquização dos casos (casos moderados em unidades básicas e graves nas unidades de referência).

“O Amazonas tem menos portas de entrada que o Pará. Isso ajuda na eficácia das ações em território amazonense e dificulta a chegada do vírus por aqui. Agora estamos focados na preparação da rede de saúde para evitar óbitos por causa do problema”, finalizou.

Pará registra quase dez vezes mais casos de gripe suína que o Amazonas

Sem mais artigos