Pra não ficar só falando desses monstros do Rhythm&Blues – olha, é difícil, viu, tenho tanta gente para apresentar e exaltar que não existe nem pódio, estão todos no mesmo palco de um teatro finérrimo com cortinas de veludo azul. Tenho até medo de escrever sobre Ruth Brown e Otis Redding, estou esperando a inspiração chegar. Pois então hoje falarei de um branquelo que fez parte de uma banda/fenômeno que jamais veremos de novo. Não, não é o Mick Jagger, nem o Keith, nem o John Lennon… Pois é o Paul McCartney.

 

Eu sei que a carreira solo dele é uma ladeira mas não pude deixar de me apaixonar por Ram, disco que fez sozinho com o amor de sua vida –  Linda McCartney. O casal fez tudo mesmo, incluindo tocar todos os instrumentos, arranjar, cantar, sapatear e fazer a arte das capas. O disco soa como se tivesse sido gravado na casinha que procuram na letra de Heart of the Country, primeira música do lado B (porque aqui a gente tem vitrola, coisa que todos que gostam de música deveriam se dignar a ter) e um dos clipes ao lado.

 

Os dois primeiros discos de Paul, McCartney e esta bela obra que é o Ram nunca tiveram o devido respeito da crítica, diferente dos outros Beatles, John Lennon com Plastic Ono Band e George Harrisson com All Things Must Pass. Aliás, a carreira solo de Paul nunca foi levada muito a sério pela crítica, mas os discos vendiam como água (até os anos 80, onde ele realmente se tornou chato), afinal,  ele era um Beatle. Paul recentemente se apresentou com Ringo Starr no Radio Music Hall, em Nova York, e continua fazendo uns shows por aí.

 

Buenos, o novo disco do Wilco tem uma lhama na capa. Assim, gratuira. Qual o problema, senhor? Eu gosto. Paul não está ali alegremente segurando os chifres de um carneiro na capa de Ram?

Paul, Linda e seu carneiro

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