Política e esporte. Essa é uma combinação que não vem dando muito certo na história, principalmente quando um extrapola demais a sua área e resolve tomar medidas que influenciam o outro. A vítima mais recente são os israelenses, que tem sofrido represálias devido as ações de seu país de origem na Faixa de Gaza. Não se trata de um caso isolado. Acontecimentos do passado mostram que isso é mais comum no esporte do que se imagina. Infelizmente.


 


Iraque fora das Olimpíadas? Peru fora das Eliminatórias da Copa? Polônia sem o direito de organizar a Eurocopa? As entidades como o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Fifa tentam impedir que os governos dos países influenciem nas confederações nacionais, impondo regras e punições graves para quem desrespeitar o regulamento. Os iraquianos foram punidos, os peruanos e poloneses voltaram atrás a tempo de não sofrerem sanções.


 


Os Jogos Olímpicos foram palco de grande manifestações contra a política da China na última edição. A passagem da tocha por todos os países do mundo foi um verdadeiro fiasco no quesito organização, principalmente devido aos manifestantes que fizeram questão de protestar durante o desfile contra a questão do Tibete. Eles queriam que o governo chinês parasse com as represálias aos tibetanos em busca dos direitos humanos daquele povo.


 


As Olimpíadas foram palco de cenas lamentáveis de racismo por parte de regimes políticos também. Tentando provar a superioridade da raça ariana, Adolf Hitler, ditador nazista, compareceu ao estádio Olímpico de Berlim em 1936 para comemorar isso, mas a decepção do führer alemão foi grande. Afinal, os negros americanos dominaram as competições e, para evitar ver a premiação, o líder da Alemanha teve de deixar o palco, em uma das cenas mais vexatórias.


 


Estados Unidos foram os que mais protagonizaram  “guerras políticas” em Jogos Olímpicos. Em 1980, os americanos se recusaram de participar das Olimpíadas de Moscou devido à Guerra Fria. A resposta veio em 1984 com a ausência dos soviéticos nos Jogos de Los Angeles.


 


Em 1968, a Cidade do México foi palco de um dos mais fortes protestos atletas. Tommy Smith e John Carlos, ambos americanos, levantaram os braços no alto do pódio com uma luva negra como modo de protestar contra as políticas racistas dos mundo. Como represália, ambos perderam as medalhas de ouro e bronze, respectivamente, e mandados de volta para casa.


 


O futebol também já foi palco de influências políticas. A partida entre Irã e Estados Unidos na Copa do Mundo de 1998 foi muito aquecida devido aos problemas entre os governos dos países fora das quatro linhas. No entanto, para evitar qualquer briga ou “guerra”, as duas seleções se posicionaram junto antes do jogo para uma foto simbolizando a paz.


 


Mas a história do futebol aponta também influência triste. Na Espanha, Francisco Franco organizou uma verdadeira “guerra” entre Barcelona e Real Madrid. Fã do time Merengue e defensor das cores espanholas como a catalunha do Barça, o líder espanhol impôs diversas dificuldades para a agremiação “rebelde”, que só pode voltar à capital e ver um jogo com a sua morte.


 


Ao som de “Forza Itália”, Mussolini entrava no estádio de Milão para apoiar sua seleção nacional, que foi fortemente reforçada pelo líder fascista para provar o sucesso de seu país. Para isso, deu nacionalidade italiana para diversos atletas, a Itália, campeã do Mundo naquele ano de 1934, tinha 5 sul-americanos em seu time titular. O poder demonstrado foi tanto que até os americanos fizeram gestos facistas antes dos jogos.


 


Enfim, por mais separados que estejam, por mais que muitos insistam em falar que esporte é algo que deve ser independente de política, a história mostra a cada dia mais a relação entre os dois. Muitas vezes como represálias, salve as exceções que podem de fato confirmar a regra de que “influência política estraga o esporte”.

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