O príncipe Charles, da Inglaterra, propôs nesta quinta-feira (12) que os Governos dos países industrializados emitam bônus para financiar a preservação das florestas tropicais e promover o desenvolvimento das nações emergentes.

No segundo dia de sua viagem ao Brasil, o herdeiro à Coroa britânica explicou que estes bônus seriam respaldados pelos Governos e vendidos a empresas privadas, como fundos de pensões ou companhias de seguros, que forneceriam o financiamento.

Como explicou Charles, os fundos seriam doados e “não emprestados”, aos Governos dos países em desenvolvimento “para pagar pelo serviço” de manter as florestas em pé.

Por sua vez, esses Executivos deveriam investir em projetos de desenvolvimento, afirmou o príncipe em discurso para empresários no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.

Mecanismos

As doações seriam pagas “com base em resultados” e poderiam ser ampliadas a mais nações, em função do número de florestas que forem salvas, explicou. Os países desenvolvidos obteriam retorno financeiro em um prazo de dez a 15 anos, através da redistribuição de bônus de carbono ou pela transferência de tecnologias “verdes” para o desenvolvimento de projetos de energia renovável.

“É um mecanismo interino para momentos de emergência como esta que estamos vivendo”, afirmou Charles. O príncipe insistiu em que uma resposta sustentável requer a contribuição conjunta do setor público e privado, e pediu que medidas sejam tomadas rapidamente, aproveitando a crise mundial para “reforçar a mensagem” de que é necessário criar novas oportunidades para manter a floresta de pé.

Charles deu um prazo de 100 semanas para agir, tempo máximo que, segundo as “projeções mais otimistas”, os habitantes do planeta têm para evitar a “mudança inexorável do clima”. “Temos que restaurar a harmonia das forças da natureza, porque, em caso contrário, as dificuldades que enfrentamos hoje não serão nada em comparação com as consequências que os efeitos integrais da mudança climática terão na economia”, afirmou.

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