Os países produtores de petróleo, sobretudo os que mais dependem da venda do insumo para gerar receita, temem que as decisões da cúpula sobre a mudança climática, que começa esta semana em Copenhague (Dinamarca), causem a eles grandes prejuízos econômicos.

Oficialmente, não existe uma postura unificada destas nações nem da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), cujo secretário-geral, o líbio Abdala El-Badri, estará em Copenhague na qualidade de observador.

Os países-membros do cartel participarão do encontro representando a si mesmos, embora o ministro de Energia da Argélia, Chakib Khelil, tenha afirmado, no último dia 1º, que as nações estavam analisando uma posição conjunta.

Por enquanto, porém, “não há uma postura comum e coordenada dos países da Opep para Copenhague”, disse à Agência Efe David Wech, analista da empresa de assessoria e consultoria JBC, especializada em petróleo.

“Alguns países, sobretudo a Arábia Saudita, cuja receita depende, em primeiro lugar, das exportações de petróleo, querem receber uma indenização pela queda na demanda”, acrescentou.

A expectativa é que outras nações, como o Equador, tentem compensar estas perdas por meio dos chamados Mecanismos para um Desenvolvimento Limpo (MDL). Estabelecidos no Protocolo de Kioto, eles promovem investimentos em projetos que reduzem as emissões de gases estufa em países em desenvolvimento.

Dias atrás, o ministro argelino disse que os produtores têm medo de serem tachados de poluidores. Outra preocupação é com a possível criação de um “imposto sobre o carbono” no consumo de petróleo e derivados.

Segundo Khelil, a aplicação desse encargo impactaria negativamente a demanda por petróleo e gás, causando aos países da Opep um prejuízo de até US$ 3 bilhões até 2050.

“Os países exportadores de petróleo não são os poluidores, já que se limitam a vender esta energia”, declarou o ministro argelino.

Apesar de os 12 membros da Opep produzirem juntos quase 40% do petróleo consumido no planeta, os números da Agência Internacional da Energia (AIE) não apontam os produtores como os principais poluidores do planeta.

As emissões destas nações são relativamente baixas em comparação com as do resto do mundo, embora tenham aumentado bastante desde os anos 1970.

Os 162 milhões de toneladas de CO2 que os 12 países da Opep liberavam na atmosfera em 1971 viraram mais de 1,5 bilhão de toneladas em 2007. O crescimento foi de 848%, mas, mesmo assim, os gases estufa liberados pelo cartel representam apenas 5,24% das emissões globais.

Em 2007, inclusive, a Opep poluiu menos que a Rússia, que, sem integrar a organização, emitiu nesse ano 1,579 bilhão de toneladas de CO2, segundo os cálculos da AIE.

Os analistas da JBC acham “pouco provável” que da cúpula de Copenhague saia um acordo de cumprimento obrigatório em substituição ao Protocolo de Kioto, algo também praticamente descartado pelos organizadores do encontro.

Mas os consultores apostam que os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) farão de tudo para estabelecer metas de redução de gases poluentes.

De acordo com os analistas, os percentuais que forem definidos serão responsáveis por “uma redução líquida da demanda por produtos (derivados de petróleo)” nas nações industrializadas, à medida que os Governos vão estimular a eficiência energética e os combustíveis alternativos, sobretudo o etanol e o biodiesel.

Para promover esta substituição, as nações ricas reduzirão as subvenções às fontes de energia tradicionais e aumentariam os subsídios aos biocombustíveis.

A JBC também acha que não serão só as metas para frear a mudança climática que comprometerão a receita dos países produtores de petróleo. O crescente interesse político dos EUA e da Europa em se tornarem menos dependente de fontes de energia provenientes de regiões instáveis também pode contribuir muito para isso. EFE

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