Desde o agravamento da crise mundial em setembro do ano passado, o governo brasileiro adotou uma série de medidas para estimular o consumo interno no país. A principal delas é a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de diversos produtos, como automóveis, linha branca e material de construção.

Apesar de surtir efeito para os setores beneficiados, a prática de abrir mão da arrecadação de impostos em um momento em que o governo tem dificuldade para conseguir dinheiro é bastante questionada por especialistas. O tema ganhou força após a decisão de isentar de IPI  indústria de móveis. Para economistas, medidas como estas não fazem sentido em uma economia em crescimento.

Em depoimento para a edição desta quinta-feira (26) do jornal O Estado de S. Paulo, o economista chefe da MB Associados, Sergio Vale, o governo poderia ter agido de forma mais rápida no ano passado e dar benefícios para mais setores. “Agora a economia já começou a andar por conta própria. Já não faz mais sentido manter esses incentivos”.

Quem também questiona a postura da equipe econômica é o consultor tributário Clóvis Panzarini. Ele tem dúvidas sobre a real necessidade dessas reduções. Ele ressalta que com menos arrecadação as metas de economia do governo para o pagamento de juros podem ser comprometidas. Já para Amir Khair, também consultor tributário, a redução do IPI pode ser compensada com a maior arrecadação de outros impostos.

Outra decisão do governo nesta semana foi a de manter o imposto reduzido de carros flex, que hoje representam 88,6% das vendas. Para o economista da LCA Consultores, Douglas Uemura, o mercado automotivo deverá permanecer aquecido no primeiro trimestre de 2010. Com as reduções fiscais, atualmente os carros são em média 7% mais baratos do que no ano passado.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revelou que a redução do IPI, que passou a valer desde dezembro do ano passado, possibilitou vendas de 400 mil veículos a mais do que o mercado absorveria sem a medida. Com isso, as vendas cairiam 14% ante 2008, para 2,4 milhões de unidades.

Sem mais artigos