A Sadia e a Perdigão anunciaram na manhã desta terça-feira (19) a fusão, que já era esperada desde a semana passada. Dessa associação surgirá a resultará a BRF Brasil Foods, que terá sede na cidade de Itajaí, Santa Catarina. A nova empresa será a maior produtora e exportadora mundial de carne de frango, uma das principais processadoras de carne de porco e a maior abastecedora de alimentos industrializados no país. Pelo acordo, os acionistas da Sadia terão 32% de participação, enquanto que os acionistas da Perdigão terão 68%.
 
Em um primeiro momento, nada deve mudar para o consumidor. Os co-presidentes da Brasil Foods, Luiz Fernando Furlan e Nildemar Secches, informaram durante entrevista coletiva que as marcas e produtos da Sadia e da Perdigão devem ser mantidos no mercado nacional. A grande diferença deve ficar por conta de uma maior presença no exterior, com a exportação de cerca de 42% da produção total.
 
A criação de uma gigante no setor de alimentos deve originar uma concentração de mercado, que é quando uma empresa passa a ter o domínio de um determinado segmento com pouca concorrência. Esse deve ser um dos principais desafios já enfrentados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão que trabalha em defesa da concorrência e que precisa aprovar a fusão.
 
Em um primeiro momento, o Cade deverá exigir que as marcas sejam mantidas totalmente separadas até o julgamento da questão. Esse é Acordo de Preservação de Reversibilidade da Operação, que já foi feito nos casos da compra da Garoto pela Nestlé, da Varig pela Gol e da Brasil Telecom pela Oi.
 
É bastante provável que o Cade imponha algumas restrições em determinados segmentos. Por exemplo, a Sadia detém 47,5% do mercado de margarinas, enquanto a Perdigão 18%. Com isso, o conselho poderia obrigar a venda de uma das marcas. É o caso que aconteceu na criação da AmBev. Na ocasião, o Cade determinou a venda da Bavária e de cinco fábricas.
 
No entanto, ainda é cedo para avaliar quais serão os impactos para o consumidor. O Cade deverá ainda analisar cada setor separadamente e por região geográfica, para identificar onde existem sobreposições de produtos e concentração excessiva.
 
Na opinião do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) a fusão é preocupante para o consumidor, já que a história mostra que a concentração de mercado implica eu aumento de preços. “A união entre Brahma e Antarctica, que resultou na criação da AmBev, trouxe muitos ganhos de sinergia, mas eles não chegaram ao consumidor. Ao contrário. A AmBev usou o poder conquistado para pressionar concorrentes menores e tirar ainda mais opções do mercado. Quando duas empresas se unem, elas não o fazem em benefício do consumidor, mas para aumentar sua lucratividade”, disse Marcos Pó, do Idec.

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