O cantor e compositor Diogo Nogueira, de 28 anos, sempre teve o samba como fio condutor de sua história com a música. Filho do sambista João Nogueira, o carioca seguiu seus passos na hora de definir o estilo e até mesmo decidir o que fazer na profissão. Entre suas realizações, estão a composição de três sambas para a Portela, escola de coração de João – em um deles, que foi apresentado no ano passado, ganhou com a agremiação o tricampeonato do Carnaval do Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi indicado ao Grammy Latino na categoria Artista Revelação.

Agora, Diogo Nogueira lança Tô Fazendo Minha Parte, seu primeiro álbum de músicas inéditas. Em entrevista, ele falou sobre o processo de composição do CD e a importância do samba entre a juventude. Ele também comentou a polêmica em torno da música Sou Eu, que estaria no novo CD de Simone – a gravação foi vetada por Chico Buarque, autor do tema ao lado de Ivan Lins, que achou melhor entregá-la a uma voz masculina. Chico, inclusive, participou da faixa, fazendo backing vocais.

Virgula: Como foi o processo de composição de Tô Fazendo Minha Parte? Como foi feita a escolha das músicas?
Diogo Nogueira: Eu e o Alceu Maia (produtor do CD) ficamos durante um ano escolhendo músicas que combinassem com o meu estilo de cantar e minha personalidade, e que também fossem importantes para a minha vida. O importante era encontrar canções que combinassem comigo e que fossem boas. Daí tem coisas de Arlindo Cruz, Bezerra da Silva

Virgula: E como foi gravar com alguém tão importante como Chico Buarque?
Diogo Nogueira: Obviamente, um orgulho imenso. Ele é um ícone, um excelente compositor. Foi uma honra para mim.

Virgula: Você é muito comparado com seu pai e, de fato, as vozes são bem parecidas. Como você lida com isso? Te incomoda?
Diogo Nogueira: Nem um pouco. Tem como alguém ficar incomodado ao ser comparado com alguém como o João Nogueira? É um enorme prazer. Fica impossível se distanciar desse tipo de comparação e, além disso, nossas vozes são muito parecidas mesmo, o que é natural.

Virgula: Malandro é Malandro, Mané é Mané, que está no disco, faz parte da trilha sonora da novela Caminho das Índias. Quem escolheu essa música, que é um clássico do samba?
Diogo Nogueira: Foi tudo muito rápido. Eu estava em casa e recebi uma ligação da Glória Perez (autora da novela) dizendo que achava essa música perfeita para retratar o personagem do (ator) Antônio Calloni, César. Daí ela me chamou para gravar, e demoramos três dias. Quando essa música tocou na novela, fez bastante sucesso e ajudou muito na divulgação do álbum. Eu e a Glória ficamos muito felizes com o resultado.

Virgula: Você acha que o samba está atraindo mais os jovens a partir do surgimento de novos cantores do gênero?
Diogo Nogueira: Com toda a certeza. Aqui no Rio de Janeiro, os jovens vão muito aos shows de samba e se interessam não só em assistir como em participar. Então tem muita gente estudando música, interessando-se pelo processo. O samba atrai tanto os jovens pelo ritmo, que é uma delícia, suingado. E tem mais: nunca sai de cena. Sempre está por aí, conquistando quem queira ouvir.

Virgula: Você vai tocar em São Paulo em julho (dias 25 e 26, no Citibank Hall). Como serão as apresentações?
Diogo Nogueira: Ainda não posso revelar muito, mas adianto que os shows terão a presença do Carlinhos de Jesus e serão bem dançantes. O repertório mesclará músicas do novo álbum com outras faixas para não ficar chato. A intenção é fazer a galera dançar.

Virgula: A música Sou Eu, composta por Ivan Lins, inicialmente iria para o novo CD de Simone. Mas Chico Buarque, que também participou da composição, ofereceu-lhe a música por considerar que ela ficaria melhor com vocais masculinos. Como foi isso?
Diogo Nogueira: Eu não fiquei sabendo de nada na época. Eu estava nos EUA quando essa polêmica começou. Quando cheguei, o Chico simplesmente me ofereceu a música e foi isso. Mas nada disso é problema meu. Eles que se resolvam entre si. Não tenho nada a ver com ela.

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