A constante valorização do real ante ao dólar, que fez com que a moeda brasileira se tornasse a que mais ganhou em 2009, não é só um problema para a indústria exportadora. Quem reforça o coro exigindo medidas governamentais para controle do câmbio são os produtores rurais.

No ano passado, antes da crise, os preços internacionais dos produtos agrícolas estavam em valores recordes. Agora, além de um dólar fraco, os preços ainda não retornaram ao nível pré-crise, o que prejudica a rentabilidade das exportações agrícolas.

De acordo com um levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços em reais das vendas externas de produtos do campo tiveram queda de 14,5% entre junho e setembro deste ano. Já na comparação com setembro do ano passado, a retração é de 11%.

Algumas commodities chegaram a se valorizar com a recuperação da economia mundial, mas essa alta foi anulada por uma moeda nacional mais forte. As exportações agrícolas, em dólares, avançaram 6,3% no terceiro trimestre. No entanto, o real se valorizou 19,6% no mesmo período.

Segundo um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), caso o dólar chegue a ficar abaixo de R$ 1,60, muitos setores do campo ficaram no vermelho. No caso dos exportadores de frango, o limite da rentabilidade é R$ 1,71. Um ponto que a entidade ressalta é que é o setor agrícola que garante que o Brasil tenha superávit comercial.

Apesar de tudo, um cálculo da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) mostra que o impacto do real forte na agricultura é bem menos danoso que na indústria. Atualmente, por estas contas, a rentabilidade das exportações agrícolas está no mesmo nível do início do ano passado.

Setor agrícola reforça coro contra real forte

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