Pela primeira vez desde 1998, o setor automotivo do Brasil vai encerrar o ano com déficit comercial. Os motivos para a diferença entre exportações e importações estão na crise internacional e também na valorização do real frente ao dólar.

A recessão global fez com que os países que tradicionalmente são os principais compradores de veículos brasileiros diminuíssem suas compras. Paralelamente, o mercado brasileiro ampliou a importação de carros. O saldo entre janeiro e setembro é negativo em US$ 2,5 bilhões. Neste cálculo também entra as compras de autopeças e máquinas agrícolas e rodoviárias. No entanto, só as montadoras acumulam déficit de US$ 1,5 bilhão.

Nos primeiros dez meses do ano foram exportados 371 mil veículos brasileiros, o que representa 42% a menos do que no mesmo período do ano passado. Já as importações chegaram a 356 mil unidades, alta de 21,6% na mesma base de comparação. As informações constam na edição desta terça-feira do jornal Folha de S. Paulo.

Os principais mercados para os carros produzidos no Brasil são a Argentina e o México. Nestes países, os efeitos da crise foram mais agudos, por isso as exportações tiveram uma queda tão drástica. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) entende que o quadro só será revertido com a melhora do cenário econômico nesses países.

Outro problema que o Brasil deve enfrentar é a alta valorização do real, que pode tirar a competitividade do setor. A expectativa é que a demanda externa volte a crescer no segundo trimestre do próximo ano.

O resultado de 2009 será o pior desde 1998. Na ocasião, o déficit do setor ficou em US$ 526 milhões, em um cenário no qual o real também está muito valorizado. Nos últimos anos, o melhor resultado foi em 2006, com superávit comercial de US$ 9,57 bilhões.

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