O ex-ativista italiano Cesare Battisti continuará esperando em uma prisão de Brasília, por tempo indeterminado, o desenlace de seu caso, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu suspender, na quarta (9), a sessão sobre sua extradição ou a concessão de refúgio político.

Condenado à prisão perpétua em seu país por quatro homicídios, Battisti viu como seu futuro mudava conforme os membros do Supremo argumentavam para apoiar sua extradição à Itália ou para acatar a polêmica decisão do Governo Luiz Inácio Lula da Silva, que acabou gerando uma crise diplomática entre os dois países.

A pedido do juiz Marco Aurélio Mello, após quase 12 horas de debates o final da audiência foi adiado sem data fixa, enquanto quatro magistrados deram seu parecer propício à extradição e três, ao refúgio.

Ficou pendente apenas o voto de Mello e o do presidente do STF, Gilmar Mendes, embora ao fim das votações qualquer um dos sete magistrados que já votaram tenham direito a modificar sua decisão.

A favor da liberdade do italiano pesou o argumento de que, segundo a legislação brasileira, não é permitido extraditar um refugiado político.

Por outro lado, os quatro juízes que pediram sua extradição consideraram que no caso de Battisti não cabe a concessão de refúgio, já que os crimes realizados nos anos 70 não têm natureza política.

Os juízes consideraram que o ministro da Justiça, Tarso Genro, “se desviou” da finalidade do direito de refúgio, e por isso votaram pela anulação da ordem.

O juiz Cezar Peluso, instrutor da causa, argumentou que “não existe” caráter político nos crimes de Battisti, descartando dessa forma qualquer impedimento constitucional, já que a Carta protege os perseguidos políticos.

“Os homicídios em questão foram praticados com frieza e em circunstâncias distintas (…) Trata-se pura e simplesmente da execução de sentenças por crimes penais comuns”, analisou Peluso, antes de votar a favor da extradição.

O juiz instrutor disse que a concessão do refúgio político suporia “presumir” que as autoridades italianas são arbitrárias e não respeitariam os direitos do ex-ativista.

Battisti foi julgado e condenado à prisão perpétua na Itália em 1993 pelo assassinato de dois policiais, um joalheiro e um açougueiro, todos eles cometidos entre 1977 e 1979.

O antigo integrante do grupo armado Proletários Armados pelo Comunismo escapou da condenação porque vivia na França, onde teve refúgio político até 2004.

Na ocasião, as autoridades francesas aprovaram sua extradição e Battisti fugiu para o Brasil, onde viveu clandestinamente até ser detido em março de 2007, no Rio de Janeiro.

Desde então, permaneceu em prisão preventiva na penitenciária de Papuda, em Brasília, aguardando a sentença do STF perante o pedido de extradição feito pela Itália.

Após sua detenção, Battisti solicitou refúgio político, o que foi negado em primeiro momento pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), organismo que depende do Ministério da Justiça, e depois foi aprovado, em janeiro passado, pelo ministro.

Tarso Genro argumentou “motivos humanitários” e alegou que existia um “fundado temor de perseguição” política no caso de ser concedida a extradição à Itália.

O Governo italiano protestou contra a decisão e posteriormente chamou a consultas seu embaixador em Brasília.

A disputa chegou em nível de chefia do Estado, com uma queixa formal por carta do presidente italiano, Giorgio Napolitano, a Lula, que respaldou publicamente a decisão de Tarso e manifestou que a Itália deveria respeitar a “decisão soberana” do Brasil.


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Situação de Battisti continua indefinida nas mãos do STF

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