Você pode não saber quem é Lorena Simpson, mas é muito provável que tenha ouvido algum de seus hits nas rádios nos últimos meses. A cantora estourou nas paradas dance do Rio de Janeiro e de São Paulo com as faixas Brand New Day e Can’t Stop Loving You, e mesmo tendo apenas quatro músicas em seu currículo tem uma agenda fechada de shows até o Carnaval de 2010.

A amazonense Lorena Simpson começou cedo – aos 11 anos, já viajava pelo Brasil se apresentando em diversos festivais de dança. Entretanto, deixou um pouco de lado sua carreira de dançarina quando se apaixonou pela música: mais especificamente, pela house music.

“Foi por meio da house dance que eu comecei a perceber que poderia unir a dança, que eu amo, com música eletrônica. Sempre fui performática, e quando a minha atual produtora, Maxpop Music, me descobriu, eles perceberam que, além de dançar, eu também cantava bem e quem sabe as coisas poderiam se unir”, contou Lorena.

Segundo ela, todo o seu conhecimento a respeito de música eletrônica sempre foi baseado no deep house, estilo que reúne influências da disco, do techno e de ritmos dos anos 80. “Tudo que eu conhecia era bem antigão, bem clássico. Quando, em 2008, eu assinei com a MaxPop, a intenção era dar uma atualizada na minha música, incorporando elementos do hip hop e criando um house mais ‘tribal”, conta ela.

Os quatro singles já disponibilizados no mercado pela cantora – Brand New Day, Can’t Stop Loving You, Feel da Funk e Revolution of Love – têm em comum, além da pegada pop e das batidas simples, a voz de Lorena, que acha que o cenário da música eletrônica muitas vezes se reduz ao tunts tunts. “Eu sempre pensei em cantar música eletrônica, não só aquela coisa DJ, sabe? Falta alegria e performance em muitas apresentações, falta batuque! E é isso que eu quis trazer com minhas músicas”.

Na hora do processo de composição, em parceria com o DJ Filipe Guerra, Lorena faz questão de salientar que suas maiores influências são artistas com performances vocais únicas e que se destaquem por suas apresentações ao vivo. “Amo artistas performáticas e que também trazem um trabalho vocal diferenciado, como Madonna, Beyoncé, Christina Aguilera e, aqui no Brasil, Marisa Monte e Céu”, afirma Lorena.

Sobre a cena de música eletrônica no Brasil, Lorena considera que existe muito preconceito. “Em uma entrevista recente, me perguntaram se eu achava que ainda existiam pessoas que achavam que música eletrônica era coisa de gay e drogado. E é óbvio que ainda existe muito preconceito sim, mas as coisas estão mudando. Hoje temos grandes DJs e produtores excelentes”, defende ela, que acha que o maior problema está na imagem negativa da eletrônica dentro do mercado musical. “Tem gente que acha que música eletrônica não é arte. Falta essa consciência”, completa.

Embora todos os seus singles sejam cantados em inglês e até mesmo seu nome remeta imediatamente ao exterior, Lorena Simpson afirma que ainda quer aceitar o desafio de cantar house music em português. “É um sonho, algo que sempre quis, mas que tenho consciência de que é muito difícil. Uma vez me disseram que o medo é que a música cantada em português tenha uma letra que soe boba. Eu acho que pode funcionar, mas a música e a produção precisam ser impecáveis”, explica ela, que, no entanto, não tem certeza a respeito da recepção de tal tentativa.

“Não sei ao certo se o público iria aceitar house cantado em português. Mas pretendo tentar algum dia, com algo mais seguro como uma regravação. Nesses casos, é melhor não arriscar muito”, explica.

Mas, se a intenção sempre foi tentar cantar em português, por que a escolha da house music? “Escolhi a house por causa da dança. Eu sempre quis fazer uma música com uma pegada gay, voltada para esse público, principalmente porque assim eu poderia exercitar meu lado performático, que é essencial em minhas apresentações. House music é um estilo muito confortável para mim”, assegura.

Com a agenda cheia de apresentações no Brasil, Lorena já prepara o lançamento de seu primeiro álbum, previsto para 2010. E adianta: “ainda não rolou, mas quero muito começar a discotecar. Convivendo com o Filipe, fica mais fácil. Ainda vou aprender para poder comandar as picapes!”, completa.

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