A proposta do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, para que as transações financeiras sejam taxadas não foi bem recebida por vários países desenvolvidos do Grupo dos Vinte (G20, que também é integrado pela principais nações em desenvolvimento).

No sábado, 7, na reunião do grupo em Saint Andrews, na Escócia, Brown pegou os ministros da área econômica de surpresa ao propor a chamada “taxa Tobin” como forma de amortecer o impacto de eventuais crises no futuro.

Segundo especialistas, países desenvolvidos como Alemanha e França podem apoiar a taxação sugerida, mas EUA e Canadá, assim como o Fundo Monetário Internacional (FMI), não ficaram muito satisfeitos com a ideia.

Por sua vez, o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, considerou a taxa “uma proposta a mais”. Ele lembrou que o Brasil tem seu próprio sistema de proteção contra “panes” no sistema, posto que os bancos são obrigados a contribuir para um Fundo de Garantia de Crédito.

Brown apresentou a iniciativa como um “contrato social” ideal para os bancos, que ganhariam um fundo de emergência e poderiam reagir melhor a outras crises.

O primeiro-ministro, que caiu nas pesquisas de intenções de voto, foi acusado pelos políticos da oposição britânica de buscar “manchetes” que melhorem sua situação.

Um porta-voz do Partido Conservador, favorito a ganhar as eleições gerais de 2010 no Reino Unido, disse que Brown só quer chamar a atenção, já que o Tesouro do país admitiu há apenas seis semanas que a taxa proposta não seria eficaz.

Por sua vez, Lorde Oakeshott of Seagrove, porta-voz para o Tesouro do Partido Liberal-Democrata, terceira maior legenda do país, admitiu que o premiê acabou “humilhado e isolado”. “Semanas depois de seu próprio Tesouro ter descartado a taxa Tobin, ele a saca da cartola como um novo e desesperado truque”, ressaltou o político.

A oferta de Brown captou a atenção da mídia, mas o secretário de Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, disse à emissora “Sky News” que a taxa “não é algo” que os americanos estejam “decididos a apoiar”.

Já o ministro de Finanças do Canadá, Jim Flaherty, foi mais contundente ao afirmar que seu país não quer elevar os impostos.
“Não queremos subir os impostos, mas baixá-los”, frisou.

Para o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Khan, uma taxa sobre as transações financeiras internacionais não funcionaria porque elas são difíceis de se calcular.

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