Os níveis de dióxido de carbono (CO2) no mundo são os mais altos dos últimos 2,1 milhões de anos, revelou um estudo divulgado nesta quinta-feira pela revista Science.

A pesquisa que, segundo seus autores, fornece novos dados sobre os ciclos de temperaturas na Terra, descarta a teoria que afirmava que a queda nos níveis de CO2 na atmosfera tinha causado as eras glaciais.
O estudo confirma, no entanto, que esses maiores níveis do gás coincidiram com intervalos de temperaturas mais altas no planeta.

A equipe liderada por Bärbel Hönisch, geoquímica do Observatório Terrestre Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia, em Nova York, reconstruiu os níveis de CO2 através da análise de plánctons do fundo do Oceano Atlântico, na costa da África. Com a medição da proporção de isótopos, os cientistas puderam calcular quanto CO2 havia no ar quando o pláncton ainda estava vivo.

Esse método permitiu melhores registros que os conseguidos através da análise das camadas de gelo polar de somente 800 mil anos, segundo o estudo.

O planeta sofreu mudanças cíclicas de temperaturas durante milhões de anos, mas, há 850 mil anos, os ciclos de glaciação foram mais prolongados e intensos, uma mudança que muitos cientistas atribuíam à queda nos níveis de CO2.

No entanto, os cientistas de Lamont-Doherty indicaram que os níveis de CO2 durante essa transição foram semelhantes e é pouco provável que tenham ocasionado a mudança. Cientistas acreditam que os dados sugerem que os gases de efeito estufa e o clima global estejam vinculados.

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