Nada de Grizzly Bear, Florence and the Machine ou outra dessas novas bandecas incensadas pela mídia hypeira como a última Coca-Cola no deserto. Em 2009, o domínio foi total das bandas veteranas: Pearl Jam, Sonic Youth, Green Day, entre outros, lançaram ótimos trabalhos. E o melhor disco do ano até agora, sem dúvida, é The Chair in the Doorway, do Living Colour, que vazou na Web semana passada.

Uma das bandas mais injustiçadas da história – apesar de ser mais talentosa, nunca teve o sucesso de Rage Against the Machine ou Limp Bizkit, entre outras bandas que unem rock com rap e outros estilos –, o Living Colour não gravava um CD desde Collideoscope, de 2003. E a volta ao estúdio foi em grande estilo, pois Corey Glover (voz), Vernon Reid (guitarra), Doug Wimbish (baixo) e Will Calhoun (bateria) fizeram um disco em que TODAS as músicas são, pelo menos, muito boas.

Em seu novo CD, o grupo continua misturando rock a tudo quanto é estilo, mas com qualidade não encontrada em nenhum outro disco deles – e em pouquíssimos lançados nos últimos anos. Tem de tudo: quase heavy metal (Decadance), influências eletrônicas (Burned Bridges, Method), rock dançante/modernoso (Young Man), pop-rock (Behind the Sun) e até um reggae/blues/funk/rock – Bless Those (Little’s Annie’s Prayer), “só” a melhor música do gênero em 2009. Até a faixa-bônus do álbum, Asshole, é tão boa que pode muito bem ser um single de sucesso.

Infelizmente, 96,87% dos jornalistas musicais não vão dar a menor bola para esse disco, que talvez nem seja lançado no Brasil. Afinal, o Living Colour não tem rostinhos bonitos nem é moda no meio indie. Mas, se boas melodias, arranjos criativos e muita qualidade instrumental – pra não variar, o quarteto tem uma performance espetacular – ainda fosse o único critério para colocar um CD na lista dos melhores do ano, The Chair in the Doorway estaria, em qualquer relação, nos primeiros lugares.

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