Em um ano marcado por shows de grandes ícones do final dos anos 80 no Brasil, como The B-52’s, Faith No More, Jane’s Addiction e Pet Shop Boys, mais uma banda chega ao circuito dos shows tupiniquins: o Living Colour, que chega ao Brasil para uma temporada de três shows.

Os shows da banda em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte prometem ser extensos: o baterista Will Calhoun garantiu que o grupo pretende tocar, na íntegra, o mais recente trabalho do Living Colour, o CD The Chair In The Doorway, lançado neste ano. É a quarta vez que a banda, formada por Calhoun, o vocalista Corey Glover, o guitarrista Vernon Reid e o baixista Doug Wimbish, vem ao País.

Em entrevista abaixo, o baterista falou sobre o processo de composição do novo álbum, a expectativa para os shows no Brasil e sua relação com a Web. “Baixar música ilegalmente é uma droga”, afirma ele.

O Living Colour tem 25 anos de carreira. O que mudou nesses anos todos em relação à musicalidade da banda?
Difícil dizer. É uma combinação de diversos elementos e, para nós, não dá para ter uma noção do que está acontecendo com a banda. A única coisa que nos preocupa é sempre fazer música boa, interessante. Essa é a nossa prioridade.

The Chair In The Doorway é uma junção de todos os elementos que o som do grupo adquiriu ao longo dos anos?
Acho que esse álbum é muito significativo de onde o Living Colour está hoje. The Chair In The Doorway foi gravado no exterior, em Praga, chamamos vários amigos para trabalhar conosco… O ambiente foi bem diferente. Mas foi ótimo trabalhar longe de casa, para termos novas ideias, que vieram. Então ele representa bem nosso som hoje, que continua a misturar vários estilos ao rock and roll. Estou completamente satisfeito com o resultado.

Neste álbum, é muito presente a inserção de sons mais modernos,
como algumas batidas eletrônicas. É uma tentativa da
banda de se aproximar de novos públicos?

Queríamos explorar novos
terrenos. Todos nós do Living Colour gostamos de misturar elementos inusitados nas músicas e ver o que funciona. Realmente tentamos fazer a banda parecer mais moderna, mais abusada, mas mantendo sua sonoridade
característica.

O Living Colour sempre teve uma base grande de fãs, mas nunca vendeu muitos álbuns ou ganhou espaços generosos na imprensa. Por que isso acontece? É por causa da sonoridade da banda, que sempre reuniu estilos bem diferentes: rock, soul, jazz, funk, metal?
Imprensa é uma palavra engraçada. Pode ser que a imprensa não goste do Living Colour, não sei. Mas a coisa mais importante é que o Living Colour continua sendo o mesmo, com a mesma pegada e compromisso com a música. O legado da banda depende que continuemos fazendo um som com a nossa personalidade. Sempre terá alguém que não vai gostar porque, por exemplo, detesta jazz ou soul, mas faz parte.

Você ouve bandas novas? É influenciado pelo som de novos grupos na hora de compor?
Olha, não diria bandas noooovas (risos), porque não ouço tanta coisa assim. Mas ainda escuto sons dos anos 80 e 90 e sempre descubro coisas novas neles. A música da década de 80 ainda está presente, em vários de seus elementos, e continua sendo muito importante. Mas é engraçado que, embora tudo que a gente ouça nos influencie, sinto que o som do Living Colour, essa mistura de estilos, nunca muda.

Você também ouve muita música dos anos 90. Hoje, estamos em meio a um revival de grandes bandas daquela época. Por que isso ocorre? É uma demanda do público ou o cenário da música está mudando?
É algo cíclico, mas que depende de muitos aspectos e é difícil de explicar. O retorno dessas bandas não traz de volta o som antigo, mas é fato que há uma demanda do público por música boa. Os fãs estão sempre pedindo para que suas bandas favoritas retornem, o que é comum.
 
O Living Colour usa a Internet para divulgar seu trabalho?
A banda tem perfis no Twitter e no MySpace. Acho legal utilizar a Web para divulgar o trabalho das bandas, mas também acho que é algo bem perigoso. Todo mundo está olhando e vigiando o que você faz enquanto está conectado, isso sem contar a possibilidade de seu site ser hackeado.

E qual a sua posição a respeito do download de músicas?
Se for de forma legalizada, ótimo. Se não, é uma droga. Sei que isso faz parte de como é o mundo da música e que as pessoas fazem download ilegal a torto e direito. Gosto dessa coisa de compartilhar quando é legalizado, mas se não for, é roubo. É o nosso trabalho, somos nós que criamos. E fazemos com paixão.

O Living Colour não é estreante em
terras brasileiras: vocês já estiveram por aqui em 1992, 2004 e 2007.
Os fãs brasileiros são considerados como alguns dos melhores e mais
receptivos do mundo. É verdade?

Com
certeza. O Brasil tem grandes fãs de rock and roll, então sempre foi
incrível para o Living Colour se apresentar aí. Conheço algumas lojas
de discos muito boas. Além disso, é um país que tem excelentes artistas
e uma cultura musical vasta e variada. É um lugar ótimo tanto para quem
gosta de música quanto para quem estuda e quer saber mais a respeito.

Você participou dos CDs Giramundo, de Fernanda Porto, e Falange Canibal, de Lenine. Qual sua relação com a música brasileira?
Eu
amo a estrutura e a melodia do samba, desde os mais antigos até os
contemporâneos, que trazem elementos diferenciados. Adoro também
maracatu, o forró… Aprendo e me sinto muito inspirado quando tenho a
oportunidade de entrar em contato com sonoridades brasileiras.

E o setlist dos shows no Brasil, como será?
Será uma combinação entre músicas antigas e nosso novo repertório. Queremos tocar o novo disco na íntegra. Mas os fãs podem esperar músicas de nossos outros trabalhos, como Collideoscope (de 2003).

Em 1995, o Living Colour encerrou atividades. Em 2003, vocês retornaram com Collideoscope, e lançaram mais um CD neste ano. É uma retomada definitiva? Já estão pensando em novos álbuns?
Diversas músicas que fizemos para o The Chair In The Doorway nunca entraram no álbum. Então, temos material já para um próximo lançamento. A resposta, definitivamente, é sim.

Living Colour no Brasil

São Paulo
Quando: 15/10, às 22h
Onde: Via Funchal – Rua Funchal, 55
Quanto: de R$ 100 a R$ 160
Classificação: Maiores de 12 anos

Rio de Janeiro
Quando: 16/10, às 23h
Onde: Circo Voador – Rua dos Arcos, s/nº
Quanto: de R$ 56 a R$ 112
Classificação: Maiores de 18 anos

Belo Horizonte
Quando: 18/10, às 22h
Onde: Music Hall – Av. do Contorno, 3.239
Quanto: R$ 70 a R$ 100
Classificação: Maiores de 16 anos

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