O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, falou na noite da terça-feira (1) a dois delegados da Organização dos Estados Americanos (OEA) “sobre as eleições ilegítimas” realizadas no domingo (29) no país. Nesta quarta, o Congresso hondurenho vai discutir sobre a restituição de Zelaya à presidência.

A informação foi dada pelo assessor e porta-voz de Zelaya, Rasel Tomé, que participou da reunião, realizada na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa com os delegados da OEA José Octavio Bordón e Enrique Correa, “enviados pelo secretário-geral” da entidade, José Miguel Insulza.

“O presidente entregou aos delegados uma cópia da carta enviada ao secretário-geral da OEA sobre as falsas eleições de domingo”, disse Tomé por telefone.

O porta-voz acrescentou que Zelaya falou sobre as consequências para Honduras de “eleições nas quais houve abstenção de 60%”.

Em contraste com a alta taxa de abstenção citada por Zelaya, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) de Honduras, os candidatos dos cinco partidos políticos que participaram da disputa e os observadores estrangeiros convidados asseguram que a participação eleitoral foi maciça.

Embora os resultados finais da eleição ainda não tenham sido divulgados, o candidato do opositor Partido Nacional, Porfirio Lobo, foi declarado como virtual presidente eleito já no domingo. Seu principal adversário, Elvin Santos, reconheceu a derrota.

“O processo foi tutelado pela ditadura, não foi observado por organismos como a OEA, ONU, União Europeia e o Centro Carter”, declarou Tomei, que presidia a Comissão Nacional de Telecomunicações durante a Administração de Zelaya, derrubado em 28 de junho.

Segundo Tomé, Zelaya não espera que o Parlamento de seu país tome uma decisão nesta quarta-feira (2) a favor de sua restituição. “Não esperamos nenhuma vontade de reverter o golpe de Estado, nem uma punição a seus responsáveis, que são Roberto Micheletti, a Procuradoria, a Corte Suprema de Justiça e os militares, mas o presidente e os que integram a resistência contra o golpe continuarão lutando por sua restituição e os princípios democráticos”, disse.

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